Identidade Visual

Comunicação e Poder na Identidade Visual do PPGCOM

Criada pelo professor Dôuglas Ferreira, do Departamento de Comunicação da UFMT, a identidade visual do PPGCOM expressa esteticamente a relação entre a comunicação, em suas múltiplas expressões, e os movimentos de exercício do poder nas sociedades. Abaixo, o autor explica a concepção da marca e a sua relação com a área de concentração do PPGCOM.

A identidade visual desenvolvida para o PPGCOM da UFMT, o primeiro de Mato Grosso e o 90º da área no país, foi concebida por meio de um processo criativo embasado no levantamento dos atributos mais relevantes da unidade acadêmica que ela representa. Parte-se do pressuposto de que antes de ser um simbólico esteticamente agradável, a marca tem uma finalidade maior: representar os principais traços identitários de um grupo.

Para alcançar os objetivos propostos, a primeira etapa do processo foi uma análise de conteúdo lexical do projeto que constitui a implantação do Mestrado, visando a encontrar nele os termos mais recorrentes e com mais ligações semânticas ao longo do texto. Partimos da ideia de que esses representam os valores e os atributos mais fortes para o grupo. Como resultado, as expressões poder e processos foram umas das que mais se destacaram.

A partir disso, concluímos que enxergar as práticas comunicacionais como processos que envolvem relações de poder parecia ser o eixo central do programa. Partindo disso, nos aprofundamos em autores que também compartilham dessa mesma visão. Entre eles, o professor Rudimar Baldissera, defensor de que “a comunicação é um processo de construção e disputa de sentidos”. Amparado nas ideias de Foucault, Baldissera reflete que a Comunicação exige uma relação — pelo menos, entre dois —, e toda relação sempre é uma relação de forças, portanto uma disputa. Logo, a comunicação é uma disputa, não de forças, mas de sentidos.

Baldissera foi um convite para refletir mais sobre o pensamento de em Foucault, um dos principais autores que se desbruçaram sobre a questão do poder. Foi nele que nos inspiramos no mais significativo elemento visual da marca: as dobras. O filósofo francês dizia que “é justamente a regra que permite que seja feita violência à violência, e que uma outra dominação possa DOBRAR aqueles que dominam”.

Seu seguidor, Deleuze, reforça esses pressupostos ao refletir que aquele que dobra é o senhor, o dominante, e o que é dobrado o escravo, o dominado. Deleuze propõe a dobra como questão ética da atualidade. Sua preocupação não está limitada em identificar os grupos que dobram e são dobrados, mas em como eles praticam essas dobras.

Na marca, buscamos representar as dobras dos dominantes e dos dominados no jogo da vida pública. Em uma relação dialética, esses grupos se complementam ao mesmo tempo em que se contrapõem. Nossa intenção foi demonstrá-los não em uma relação linear, como se um desse as ordens e outro simplesmente as obedecessem. Pelo contrário, as camadas da marca apontam para os níveis e a complexidade desse processo, que envolve negociações, resistências, ajustes, exigências e concessões. Desse modo, dominado e dominante se constituem e agem na relação que tecem juntos, em movimentos de constantes trocas.

Por fim, depois de encontrado o elemento visual central — a dobra — buscamos na cultura cuiabana, principalmente na saia rodada do Siriri e no tecido de Chita, inspiração cromática para o símbolo. Em nossas pesquisas, nos deparamos como três cores frequentes nas peças analisadas: azul, verde e roxo. Essas foram incorporadas ao logo e demarcam o ineditismo do projeto na região, os traços da regionalidade nas pesquisas empreendidas e, em última instância, reforçam os laços culturais entre a academia e a comunidade.

Prof. Dôuglas Ferreira

Criador da identidade visual do PPGCOM

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