PORAndré Faust
Jornalista

DATA03 de Novembro de 2022

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Ciências

Solo não é devidamente preservado globalmente

Estudo destaca o quanto há diferentes espécies pelo Brasil
Estudo destaca o quanto há diferentes espécies pelo Brasil Willian Gomes
Conclusão é de artigo publicado na Nature com participação da UFMT

Grupo de pesquisadores internacionais concluiu, em artigo publicado na Nature, que as áreas onde o solo apresenta mais características de diversidade e oferta de serviços ecológicos – e portanto, que seriam prioritárias para a preservação – não estão sendo adequadamente protegidas globalmente. O estudo contou com apoio de pesquisador vinculado à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e foi publicado neste mês.

“Temos a noção errada de conservar só as florestas e que as árvores são fundamentais, mas isso acarreta problemas na restauração ecológica. O solo é fundamental em todos os ecossistemas, especialmente em diferentes biomas sem altas densidades de árvores, como a caatinga, o cerrado e o pampas”, explica o pesquisador Alberto Teixido, que foi professor internacional visitante da UFMT de 2018 a 2022. 

Para identificar quais seriam estas áreas, os cientistas mediram várias dimensões relacionadas com a diversidade do solo, como riqueza de espécies e caráter único das comunidades presentes, e com múltiplos serviços ofertados, como a regulação da quantidade de água no solo ou a captação de carbono, em diversos países.

“Em Minas Gerais, por exemplo, foram coletadas 50 amostras, 10 réplicas de 5 áreas, de solo até 10cm de profundidade, em locais de vegetação natural nos campos rupestres e cerrado. Nestes, investigamos a presença de arqueas, bactérias, fungos, protistas e invertebrados, além de funções críticas para seis serviços ecossistêmicos: carbono armazenado, fertilidade, matéria orgânica, retenção de água, controle de pragas e mutualismos micorrízicos”.

MT está em uma região prioritária para a conservação do solo natural

No estudo, o Brasil aparece como uma região de destaque pela alta “dissimilaridade comunitária”, ou seja, por possuir muitas espécies que são bastante diferentes entre si. “Uma coisa é termos 20 espécies de fungos e outra é termos 5 espécies de fungos, 5 de invertebrados e 5 de bactérias. A primeira é uma região mais rica, sim, mas a segunda é mais diversa”, comenta o pesquisador. “Em termos de conservação, isso é importante porque os pontos quentes com alta dissimilaridade podem ser indicadores e alvos de conservação para rastrear e prevenir a perda de espécies, que podem inclusive ser únicas na comunidade”, completou.

No caso de Mato Grosso, o estudo também indica que o estado está em uma das regiões de maior prioridade para a conservação do solo natural. “Essa é uma área com grande acúmulo de biodiversidade do solo, que maximiza as diferentes dimensões da sua ecologia que precisamos preservar e que, por isso, precisa de estratégias integrativas, não apenas do ponto de vista conservacionista, mas também considerando a apropriação socioeconômica dos sistemas subterrâneos”, concluiu.

O artigo é assinado por 39 autores de diferentes nacionalidades, liderados pela Espanha e pela Alemanha. Entre eles, o primeiro autor, Carlos Guerra, e o autor sênior e pesquisador responsável, Manuel Delgado-Baquerizo, do Conselho Superior de Investigação Científica da Espanha. 

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