PORAndré Faust
Jornalista

DATA05 de Junho de 2020

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Ciências

Pesquisa descobre hantavírus em morcegos da região Norte

Pesquisadora analisa animal preso em rede de captura em uma área de mata
Pesquisadora analisa animal preso em rede de captura em uma área de mata Francimeire Ferreira - Pesquisadora da Unemat
Desmatamento aumenta o risco de contaminação

Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) identificaram a presença de hantavírus em duas espécies de morcego presentes na região norte do estado, os Phyllostomus hastatus e Dermanura gnoma. Essa descoberta aumenta a preocupação com a possibilidade de surtos de Hantavirose, principalmente em regiões de desmatamento e produção de grãos. A pesquisa foi conduzida a partir da análise sorológica e molecular de amostras biológicas de 47 exemplares, colhidos na região de Sinop.

A presença de hantavírus em espécies morcegos é recente para a Ciência. De acordo com o professor Gustavo Canale, do Câmpus de Sinop, esses vírus estão mais associados à pequenos roedores silvestres, que podem transmitir a Hantavirose pela urina. "A hantavirose pode ser causada por diversos vírus da mesma família. Alguns com sintomas mais leves e outros com sintomas mais graves, mas todos podem levar ao óbito, por isso da preocupação", explica.

O desmatamento e, especialmente, a produção intensiva de grãos nessas áreas, elevam a preocupação, uma vez que os animais que transmitem o hantavírus podem usar as culturas como fonte de alimento, aumentando consideravelmente sua população e interagindo mais com as famílias que trabalham nas fazendas e moram nas regiões próximas. "Mato Grosso já tem mais casos que a média do restante do país e vemos índices elevados da doença na região de Sinop, Tangará da Serra e Diamantina, onde já acontecem surtos esporádicos", alertou.

Os sintomas de Hantavirose nos casos leves podem ser confundidos com outras zoonoses, como Dengue e Chikungunya, o que, de acordo com o professor, também contribui para uma subnotificação dos casos. Nos casos mais avançados, o vírus ataca o pulmão, causando dificuldade para respirar, aceleração dos batimentos cardíacos e tosse seca, desenvolvendo um quadro de "Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus".

Por causa da forma de transmissão, as populações mais vulneráveis são as que não possuem um saneamento adequado e as que moram em áreas "periurbanas", ou seja, além dos subúrbios de uma cidade, onde atividades rurais e urbanas se misturam.

"A melhor medida profilática para a questão dessas doenças é manter as florestas em pé. Floresta saudáveis e com alimento, para que os mamíferos não precisem procurar por comida nas cidades. E onde você tenha um balanço entre o número desses animais e seus predadores e competidores", concluiu.

A pesquisa foi desenvolvida pelo Grupo de Ecologia Aplicada (Geca), da UFMT, em parceria com o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), o Centro de Pesquisa em Virologia da Universidade de São Paulo (USP), A Oregon State University e a University of East Anglia.

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