O Núcleo de Estudos e Pesquisa Sobre a Organização da Mulher e Relações de Gênero (NUEPOM) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) completa 30 anos de institucionalização em 2022. Criado em um contexto de politização e ampliação do debate sobre as relações de gênero nas universidades, o grupo surgiu para pautar o feminismo no campo da ciência. Para celebrar essa trajetória acontece uma roda de conversa online, no dia 2 de abril. Para participar é preciso ter acesso à Plataforma Zoom.
O núcleo de pesquisa é o mais antigo de Mato Grosso em atividade. “Acredito que o NUEPOM tem contribuído para que a gente constitua um processo formativo imbricado com as questões de gênero, raça, sexualidade e classe social. E de certa forma, estamos muito comprometidas com as memórias das professoras que criaram o grupo”, ressalta a professora do Departamento de Serviço Social, coordenadora do NUEPOM, Bruna Irineu.
Segundo a docente, foram mais de 30 ações e 60 pesquisas desenvolvidas ao longo dos anos. “De forma que as contribuições do NUEPOM são muito significativas, ainda mais quando a gente começa a levantar quantas pessoas e quantas gerações participaram das formações políticas. Desde a criação do Núcleo tem a intenção de construir uma universidade de atuação política”, destaca.
A partir das ações desenvolvidas pelo NUEPOM, foram realizadas as primeiras formações para profissionais das delegacias de atendimento à mulher, em Mato Grosso. Assim como o Núcleo protagonizou os primeiros processos de formação do atendimento à população LGBT, tornando-se centro de referência. Além disso, desenvolveram levantamentos e estudos sobre exploração do trabalho das mulheres.
“São muitas ações que podem ser mencionadas nesses 30 anos, atribuindo um significado muito importante do NUEPOM para a região”, destacou a coordenadora.
Mulheres na ciência
A professora ainda destaca a importância de valorizar e conhecer as produções científicas de mulheres para que seja questionado o paradigma sobre a construção do conhecimento científico apenas pela visão patriarcal.
“Primeiro que é fundamental que a gente tenha noção de que, ainda que sejamos um número significativo, as mulheres têm dificuldade muito grande de que os seus trabalhos sejam reconhecidos. Então, a gente sempre fala da importância de ler teóricas mulheres, conhecendo as mulheres que produzem na sua área de conhecimento. De forma que esse exercício ajuda até a entender como as mulheres podem estar em qualquer lugar, não apenas em destaque nos números de violência e vulnerabilidade”, defendeu.
Pensando nisso, o evento de comemoração dos 30 anos do NUEPOM será uma roda de conversa sobre a história do Núcleo, reunindo professoras aposentadas, egressas e a equipe atual. O evento é aberto para todos os públicos, e acontece no dia 2 de abril de forma online.