PORCarlos Rocha
Jornalista

DATA05 de Dezembro de 2022

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Ciências

Artigo une geologia e história para explicar desenvolvimento

Professor situa papel da mineração para crescimento social e econômico

Compreender Mato Grosso da atualidade a partir da colonização envolve diversas áreas do conhecimento. Para explorar as relações entre a mineração e a construção do território mato-grossense, ao longo de mais de 300 anos de colonização, o professor Pedro Maciel de Paula Garcia, da Faculdade de Geologia, publicou o artigo "A mineração e os limites geográficos na colonização de Cuiabá e Mato Grosso", com Carolina Santos Bonfim, na revista Terræ Didatica, da Universidade de Campinas (Unicamp).

Para o professor Pedro Maciel de Paula Garcia, o trabalho envolve intensa produção interdisciplinar. “Logo que cheguei a Mato Grosso, mesmo sendo da área de geologia gosto muito da história, comecei a observar que tinha uma relação muito forte entre a ocupação colonial de Mato Grosso com os núcleos de Cuiabá e Vila Bela da Santíssima Trindade, depois Alto Paraguai ou Diamantino que começaram como núcleos mineradores”, comenta o professor acrescentando que o artigo com Carolina Santos Bonfim surgiu da preparação de aulas na UFMT em uma linha do tempo mostrando como esses eventos foi essencial para Mato Grosso ser como é hoje.

O professor enfatiza que a atividade mineral foi essencial para estimular o crescimento da região Centro-Oeste. “Toda a expansão do território brasileiro, incluindo também Goiás, tem a ver com a mineração. O que mantinha Mato Grosso nas primeiras décadas de ocupação do século XVIII era a atividade mineral. Era algo que era essencial e manteve as pessoas em Cuiabá e outras cidades”, destaca. O artigo concentra-se em momentos históricos que remetem à ocupação de regiões com relevantes recursos minerais ou episódios de migração motivados pela descoberta de ouro ou diamante.

Publicação utiliza correspondências oficiais e notícias de época

Pedro Maciel de Paula Garcia explica que o trabalho teve dificuldades, como a pesquisa de campo fora do âmbito de um trabalho de conclusão de curso. “Aproveitamos outras pesquisas para agregar e também tivemos a dificuldade de obter material primário que mostrassem como a mineração é relevante. Então, a gente teve de usar a paleografia que é o estudo de escritas antigas. Quem ajudou muito a gente a obter os recursos foi o Núcleo de Documentação e Informação Histórica Regional (NDIHR). A equipe nos ajudou muito para montar peças do quebra cabeça obtendo documentos”, comenta.

Entre as conclusões do artigo estão que a colonização de Mato Grosso, assim como o desenvolvimento e os limites, foram garantidos por núcleos coloniais e mineradores em princípio. “Depois aconteceram as corridas do ouro e do diamante para sobreviver, posteriormente substituídos pela pecuária e a agricultura. Mas, há episódios mais recentes, como em Peixoto de Azevedo e Guarantã, em que os núcleos foram mantidos inicialmente pela mineração. A ocupação e a construção do Estado de Mato Grosso como é hoje está diretamente ligada a atividade mineradora, principalmente de ouro e diamante”, pontua, acrescentando que a mineração está no DNA de Mato Grosso.

O trabalho publicado também abre possibilidades para entender como a atividade mineradora está relacionada a aspectos econômicos e sociais de Mato Grosso, desde o início da colonização. “A gente pode explorar pesquisas interdisciplinares, como parte das geociências e entrando pela parte da história no aspecto socio-econômico e histórico. Tem um novo campo de pesquisa surgindo, a Geolética, que é estudar como os cientistas devem ser comportar frente as intervenções que o ser humano faz no planeta. Para compreender tudo isso é preciso ter uma noção do momento histórico e desenvolvimento econômico”, ressalta o professor Pedro Maciel de Paula Garcia.

A interdisciplinaridade amplia também os horizontes para novos trabalhos “A gente abre tanto perspectivas para fazer novas relações e amarrar esses dados, como promover novas intersecções. A gente consegue aprofundar as pesquisas e abrir perspectivas com outras áreas para ter acesso às nossas conclusões e estudar sob outro enfoque, sempre buscando como a atividade mineral foi importante para o desenvolvimento econômico e científico do Estado de Mato Grosso. Muito da compreensão do Estado vem da compreensão da atividade mineral desde o século XVIII”, finaliza.

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