
Carlos Fontes
http://www.terravista.pt/Guincho/5198/ciber-2.htm, em 15/5/2001
ou http://educar.no.sapo.pt/ciber2.htm
Desde
que os computadores começaram a ser utilizados na educação que têm sido
propostas diversas classificações sobre o software educativo. Os vários tipos
classificações, segundo D. Squires e A. McDougall, podem ser agrupados em três
grupos fundamentais, de acordo com os respectivos critérios adoptados para
caracterizar o software. Assim temos classificações orientadas para a utilização,
a função e o modelo educativo implicito no software.
1. Classificação de acordo com a Utilização
A forma mais elementar deste tipo de classificação, consistiu na divisão do software educativo em dois grandes grupos:
- Software genérico. Utilizável em qualquer disciplina, ou em outras actividades não educativas. São exemplificativos deste tipo de produtos, os processadores de texto, as folhas de calculo, etc.
- Software específico. Como o nome indica, trata-se de um tipo de software concebido com a finalidade de ser usado no ensino, e nomeadamente na aprendizagem de tema concretos. São exemplo deste tipo de produtos, os programas de simulação usados no ensino de temas de ciência, de prática de idiomas, de exercícios de matemática, etc.
A partir desta classificação, tem surgido muitas outras mais sofisticadas, procurando descriminar com maior detalhe a utilização do software.
Apesar da utilidade deste tipo de classificações, nomeadamente na caracterização geral do software, as mesmas revelam enormes limitações:
-As categorias usadas são demasiado vagas.
- A complexificação das utilizações do software não pára de aumentar, exigindo por consequência sempre novas categorias.
- Os produtos mais recentes, que abrangem uma enorme, multiplicidade de utilizações, tornam-se extremante dificeis de classificar segundo estes critérios.
2. Classificação de acordo com a função.
A concepção de um dado produto de software destina-se, em princípio, a uma dada função e é esta que importa apurar, quando o pretendemos classificar. Neste sentido, inicialmente foi apresentado uma classificação muito simples, dividindo o software em três grandes grupos de acordo com a sua função:
-"Tutor". Este software é concebido para funcionar como "professor substituto". O computador apresenta certa material de uma dada disciplina, o aluno responde, o computador classifica a resposta e segundo os resultados da avaliação, determina dos passos seguintes. Trata-se de um tipo de produtos baseados em exercícios de pergunta/estímulo-resposta.
-"Ferramenta de Trabalho". Este software é concebido para desempenhar um conjunto de tarefas específicas, como a elaboração de gráficos, pesquisa de bases de dados, etc.
-"Tutelados". Este tipo de software é concebido de modo que o aluno ponha à prova a capacidade dos computadores para resolver certos problemas ou concretizar certas ideias.
A partir deste classificação inicial, várias outras tem sido apresentadas, nomeadamente a de J. Self, a seguir reproduzida:
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Função |
Exemplos
de software relacionados com a função |
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Promover a Motivação |
Jogos de aventuras,
jogos de computador |
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Despertar estímulos
novos |
Programas que
"imitam" o mundo real: versões informáticas de jogos de
resolução de problemas; jogos de aventuras que representam actividades
do mundo real, por exemplo, escavações arqueológicas; simulações de
fenómenos científicos, condução de automóveis, etc |
|
Activar a resposta
dos alunos |
Programas de colocam
problemas novos aos alunos, por exemplo, estimar o angulo adequado de
uma bola num jogo de snooker. |
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Proporcionar Informação |
Exercícios,
programas de aprendizagem dirigida, programas de manipulação de
informação e linguagens de consulta. |
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Estimular a prática |
Exercícios
|
|
Estabelecer a sucessão
de aprendizagens |
Programas tutoriais
|
|
Proporcionar
recursos |
Programas que
carecem de modos previamente definidos de utilização. |
3. Classificação segundo os Fundamentos Educativos
Esta classificação surgiu na sequência de um estudo em larga escala realizado na Grã-Bretanha- "National Development Programme in Computer Assisted Learning (1973-1975). Baseia-se no pressuposto que existem quatro grandes paradigmas para o ensino, e que não deixam de estar implícitos no software educativo.
- Paradigma Instrutivo. Este software assenta no pressuposto que o ensino é uma simples transmissão de conteúdos, utilizando para tal um conjunto de metodologias e técnicas mais ou menos eficazes. O centro da atenção é o programa. O aluno é visto como um mero receptor de mensagens. A intrução apresenta-se como uma sequência de operações previamente definidas das mais simples para as mais complexas.
- Paradigma Revelador. Este software assenta no pressuposto que a aprendizagem é sobretudo uma descoberta, devendo por isso ser facultado aos alunos meios para desenvolverem a sua intuição em relação ao campo de estudo. O centro da atenção são os alunos. O software procura criar ambientes de exploração e de descobrimento, sendo muito frequentes as simulações de ambientes reais. Os alunos avançam na aprendizagem introduzindo dados para descobrirem as reacções ou os efeitos que os mesmos provocam.
- Paradigma das Conjecturas. Este software assenta no pressuposto que o saber é essencialmente uma construção, O centro da atenção são os alunos na sua interacção com o meio. O software procura criar uma espécie de micro-mundos informáticos que possibilitem que os alunos manipularem ideias, conceitos ou modelos na compreensão da realidade. Os alunos avançam na aprendizagem construindo saberes.
- Paradigma Emancipador. Não se trata de um novo tipo de software, mas sim de uma maneira de encarar qualquer a utilização dos computadores em geral, e os programas informáticos em particular. Estes são vistos como meras ferramentas, cuja grande utilidade consiste na libertação dos alunos de tarefas penosas e repetitivas. Esta atitude anda em geral associada a uma concepção utilitarista da educação, na qual esta é reduzida a uma mera resposta mais ou menos eficaz a necessidades específicas do quotidiano.
4.Conclusão
Apesar da enorme utilidade que pode ter este estes e outros tipos de classificações do software, nomeadamente para melhor a sua concepção sob o ponto de vista educativo, actualmente a sua relevância tem sido desvalorizada em favor do estudo da sua utilização em contextos de aprendizagem. A razão é simples: a) um software construído segundo um "Paradigma Revelador" pode ser explorado num contexto de aprendizagem duma forma completamente diferente; b) um "mau" software sob o ponto de vista técnico, pode igualmente revelar-se um excelente recurso didáctico nas mãos de um imaginativo professor. No ensino não há resposta infalíveis.