Nova geração de músicos tem foco em pós-graduação para alcançar mercado
 UFMT - Nova geração de músicos tem foco em pós-graduação para alcançar mercado

Nova geração de músicos tem foco em pós-graduação para alcançar mercado

Publicado em Notícias | 14/03/2018

O que lhe vem à cabeça quando falamos dos músicos? Faz parte do senso comum criar a ideia de que estes profissionais iniciaram suas carreiras tendo a prática musical como hobby. Mas essa realidade vem se transformando. Unindo conhecimento teórico aos anos dedicados à prática instrumental, cada vez mais profissionais desta área têm buscado na pós-graduação uma alternativa para ampliar e aprimorar seus conhecimentos.
Porém, a escolha da música enquanto carreira profissional é um caminho longo e árduo. Segundo o professor Oliver Yatsugafu, da Faculdade de Comunicação e Artes da Universidade Federal de Mato Grosso (FCA/UFMT), o primeiro passo, após a decisão por seguir profissionalmente a área, é o ingresso na graduação. “Diferente de outras profissões, na área de Música a formação começa bem antes da graduação. Na maioria das instituições, como é o caso da UFMT, exige-se o Teste de Habilidades Específicas (THE), o que faz com que o estudante tenha maior desenvoltura técnica e vivência musical, como é o caso do bacharelado, ou uma noção básica, no caso da licenciatura”, explica. “Para a licenciatura em música, geralmente em um ano, um candidato que nunca estudou música consegue se preparar. Entretanto para Bacharelado, cujo THE demanda maior desenvoltura técnica e vivência musical, a formação precisa começar cerca de pelo menos quatro anos antes de realizar a prova”, acrescenta.
A escolha por uma das habilitações também engloba projetos profissionais. A licenciatura prioriza o ensino nas escolas, e no bacharelado, o estudante pode optar por instrumentista ou professor de instrumento na habilitação escolhida. “Nos dois casos, as graduações envolvem teoria e prática. Na licenciatura, as aulas de execução de instrumento são coletivas e mais elementares se comparadas ao bacharelado”, expõe. “No caso da UFMT, no bacharelado, a grade curricular contém, além de aulas voltadas ao instrumento ministradas individualmente, prática orquestral e música de câmara entre as disciplinas obrigatórias. Nos dois casos, para além da teoria, exige-se dedicação aos treinos”, complementa.
Pós-graduação
A pós-graduação na área, desta forma, surge como uma alternativa para ampliação dos conhecimentos adquiridos e das habilidades técnicas desenvolvidas no decorrer da graduação. Porém, no Estado, a área ainda é incipiente. “Àqueles que desejam o diploma e têm qualidade técnica e artística, eu incentivo que façam a pós-graduação no exterior. Pelo menos enquanto não tivermos pós em performance musical em Mato Grosso”, indica o professor.
Além das experiências proporcionadas pela vivência, o docente avalia a relevância desta qualificação realizada em países do exterior. “O diferencial da pós-graduação e formação continuada fora do Brasil, em instituições de alta qualidade vão desde infraestrutura até corpo docente e discentes de alto nível, com os quais se tem a oportunidade de tocar conjuntamente e crescer profissionalmente”, ressalta.
Porém, a realidade ainda é árdua para aqueles que buscam qualificação “Além da dificuldade em se manter nestas instituições, estes profissionais que buscam a qualificação têm de passar nas provas, de conseguir bolsa e, muitas vezes, de conseguir cachês nas orquestras locais”, explica.
Apesar deste cenário, uma nova perspectiva se apresenta na realidade estadual, principalmente a partir da criação dos cursos de bacharelado. “Creio que esta mudança de mentalidade está sendo construída em função do desenvolvimento do nível dos músicos de Mato Grosso”, pondera. “Temos os nossos primeiros formandos. Em breve teremos mais gente se formando no bacharelado e, sem dúvida, isso vai afetar diretamente o mercado e a exigência deste campo e do público quanto à performance de qualidade”, finaliza.
 

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