Trabalho da UFMT aponta caminhos para a solução do conflito econômico entre ecoturismo e fazendeiros no Pantanal
 UFMT - Trabalho da UFMT aponta caminhos para a solução do conflito econômico entre ecoturismo e fazendeiros no Pantanal

Trabalho da UFMT aponta caminhos para a solução do conflito econômico entre ecoturismo e fazendeiros no Pantanal

Publicado em Notícias | 13/06/2017

Uma receita anual bruta de aproximadamente US$ 7 milhões contra um prejuízo de US$ 121.500 no mesmo período. Esse é, em síntese, o panorama que permeia a região do Pantanal mato-grossense: se, por um lado, há um grande potencial de ecoturismo, puxado, sobretudo, pela observação da onça-pintada em seu habitat, há, de outro, a caça, por parte dos pecuaristas, destes animais que se alimentam de seu rebanho.
Esse é o quadro apresentado pelo professor Thiago Izzo, do Instituto de Biociências (IB) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e pelo seu orientando, o doutorando Fernando Tortato, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Biodiversidade (PPG-ECB) no artigo “The numbers of the beast: Valuation of jaguar (Panthera onca) tourism and cattle depredation in the Brazilian Pantanal” publicado na revista científica “Global Ecology and Conservation”. Também colaboraram com o texto os pesquisadores Carlos Peres, da Universidade de Eeast Anglia (Reino Unido) e Rafael Hoogesteijn da ONG Panthera (EUA).
Considerando a grande discrepância entre o lucro com o turismo e o prejuízo do gado abatido, gerados pela onça pintada, os pesquisadores reforçam a importância do turismo de vida selvagem como uma ferramenta de conservação, sugerindo o aumento da tolerância às onças por parte dos fazendeiros. Eles propõem ainda uma parceria entre o ecoturismo e os pecuaristas, por meio da qual os prejuízos gerados por onças poderiam ser compensados por um sistema de doações voluntárias de turistas e empresários, garantindo uma coexistência pacífica de pecuaristas e o ecoturismo, promovendo, com isso, a conservação da onça pintada no Pantanal.
“Nosso objetivo é mostrar que esses animais, muitas vezes, geram mais receita do que a própria pecuária”, acrescenta o professor Thiago Izzo. Segundo ele, os fazendeiros perdem muito mais rezes por picadas de cobra e animais que ficam presos em atoleiros, do que propriamente por ataques de onça. “Então por que os pecuaristas insistem em abater os felinos?”, questiona o pesquisador. Para ele, isso acontece por motivos culturais. “Na cabeça do fazendeiro, a onça representa a grande ameaça ao rebanho”, explica.
“Uma atividade não tem que ser inimiga da outra”, afirma o docente, defendendo a tese de que a agropecuária e o ecoturismo podem conviver facilmente, compartilhando o mesmo ambiente. “Basta que eles se inter-relacionem”, conclui. “Tanto o pecuarista, por ter uma tolerância maior com as onças, quanto o ecoturismo que ajuda na manutenção de uma população saudável desses animais”, finaliza Fernando Tortato, ressaltando que, dessa forma, todos ganham.
Crédito foto: GCom do Governo do Estado de Mato Grosso/Ong Panthera
 

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