Curso de Medicina de Rondonópolis realiza ação para identificar casos de hanseníase
 UFMT - Curso de Medicina de Rondonópolis realiza ação para identificar casos de hanseníase

Curso de Medicina de Rondonópolis realiza ação para identificar casos de hanseníase

Publicado em Notícias | 20/04/2017

Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde de Rondonópolis, publicados no ano passado, a cada 10 mil habitantes, sete possuíam hanseníase. A estatística coloca a cidade como a segunda com maior incidência da doença em Mato Grosso, que, por sua vez, é a primeira colocada em casos no Brasil – cujo índice é de uma pessoa a cada dez mil. Para auxiliar na detecção e tratamento, o curso de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) no município desenvolve há três anos o projeto “Quem Procura Acha”.
Segundo o coordenador, professor Bruno Moreira Carneiro, o objetivo do projeto é apresentar a doença aos estudantes. “Com isso, eles poderão ser capazes, durante a vida profissional, de suspeitar e diagnosticar novos casos dessa doença”, salienta. Ainda segundo o professor, a hanseníase é considerada negligenciada no Brasil, pois não são feitos investimentos suficientes para pesquisa, controle e produção de medicamentos. “Essencialmente, isso ocorre por ser uma doença que atinge pessoas principalmente de baixa renda”, explica.
Exceção
O docente considera que no Brasil, de um modo geral, são feitas poucas campanhas visando o controle da hanseníase. “No entanto, Rondonópolis, no momento, é uma exceção nesse sentido, já que a Secretaria de Saúde vem executando diversas campanhas ao longo do ano”, completa.
O “Quem Procura Acha”, desenvolvido em parceria com o Departamento de Ações Programáticas da Secretaria de Saúde de Rondonópolis, é realizado na disciplina “Bases da Agressão e Defesa”, ofertada no segundo semestre do curso. É a partir dali que os estudantes têm um primeiro contato com os principais patógenos humanos assim como os mecanismos que o organismo utiliza para combater essas agressões.
As atividades são divididas em quatro etapas: na primeira, os alunos têm contato com a parte teórica da doença por meio de atividade tutorial; em seguida, os discentes assistem a uma palestra com um médico dermatologista da cidade especializado em hanseníase, para entender as principais formas clínicas da doença; na terceira etapa, com o apoio de um enfermeiro da Secretaria de Saúde, eles realizam em um treinamento prático, para aprender as bases do exame dermato-neurologico, utilizado no diagnóstico da doença.
Na última etapa, os discentes aplicam todo o aprendizado teórico-prático em atividades de campo, na qual realizam exames por meio do teste de sensibilidade e palpação de nervos. Neste ano, a prática aconteceu duas vezes, sendo uma no Bloco de Medicina e outra em uma praça de Rondonópolis. Na última, foram realizados 38 atendimentos e três foram encaminhadas para confirmação do diagnóstico. Durante todo o projeto, foram examinadas 238 pessoas e, deste total, 23 foram apontadas como suspeitas de novos casos.
De acordo com o coordenador, por meio desse projeto, já foram treinados aproximadamente 120 futuros profissionais que trabalharão em diferentes regiões do país. “Eles estão preparados para identificarem quadros suspeitos de hanseníase e com isso poderão melhorar sensitivamente o diagnóstico dessa doença no País”, finaliza.
 

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