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SOBRE O EVENTO
As atividades do Departamento de História da UFMT/Rondonópolis têm sido pautadas pela busca de espaços nos quais ocorram debates sobre o papel da história perante as problemáticas que afetam a sociedade. Dentro dessa preocupação é que foi organizada a I Semana de História, em 1989, e desde então tem sido momento em que se proporciona aos estudantes e profissionais de História, bem como interessados neste campo de conhecimento, discussões acerca do estudo do passado e compreensão do presente. Construindo um caminho de superação das angústias que afetam nosso tempo, o Departamento de História foi priorizando temas cada vez mais contundentes quanto a questão do homem e seu tempo presente. Ao longo das onze edições do evento, constituiu-se um elenco de temas que desembocou nos problemas relacionados a uma contemporaneidade que clamava por um repensar das formas que nos aportaram a uma crise de paradigmas ao colocarem em crise os modelos historiográficos que serviam de referencial para pensar os problemas nos quais estamos envolvidos. Portanto, é foi para manter a coerência deste trajeto a escolha de que a XII SEMANA DE HISTÓRIA tivesse como tema "História Repensada", colocando em debate a forte herança deixada pelos paradigmas do século XIX, as rupturas que existiram no século posterior e, também, oferecendo algumas respostas teórico-metodológicas para os problemas que enfrentamos no fazer historiográfico. Vivemos um momento de perplexidade onde o espaço político encontra-se cada vez mais destituído do poder como exercício do povo em sua forma efetiva. Vemos cada vez mais aumentar o número de habitantes no mundo abaixo da linha da miséria e amplos setores da população passando por situações degradantes de vida, tanto fisicamente quanto moralmente. Vemos setores da classe média, que se achavam seguros em seus condomínios, sofrendo crises de existência levando a casos tristes como solidão e violência passional. O discurso historiográfico não ficou imune a todo este panorama mundial e brasileiro. A cada contexto contingencial histórico, a ansiedade de busca de conhecimento objetivo foi alimentando a preocupação com uma leitura historiográfica, que valorizasse cada vez mais as singularidades dos acontecimentos e com eles a busca de um homem mais singular, mais próximo de seu mundo cotidiano. No século XX, testemunhamos a crise gerada pela forma de pensar do século XIX. Já no fim da década de 20, mais precisamente em 1929, historiadores europeus já colocavam em suspeição o discurso meramente econômico ou político. Esses modelos historiográficos foram deixados de lado porque priorizavam grandes paradigmas e viam a história como uma necessidade e uma finalidade. Os Annales foram exemplos desta forma de ruptura e em suas gerações posteriores foram abrindo caminhos para uma história cultural que ampliava as dimensões de leitura do passado. Até a década de 1950 procurou-se desenvolver um tipo de historiografia que priorizasse o pensar humano independente das causalidades apriorísticas determinadoras do acontecimento. Na década seguinte, já com a experiência testemunhal da crise do pensamento moderno em suas vertentes discursivas, predominantemente de esquerda/direita, começava a surgir a necessidade de se pensar a história do passado mais voltada para o questionamento de suas bases epistemológicas. Passou-se a ver o documento como um monumento e não unicamente como prova da veracidade maior ou menor do fato histórico. Começava-se a entender que o fato histórico era em si fruto de interpretação. Nos momentos atuais ainda permanece uma nebulosa quanto ao papel da historiografia, seus desafios, os problemas do ensino de história, sua relação com as questões sociais e suas demandas nos tempos atuais. Para que estas questões fossem discutidas mais amplamente, o Departamento de História da UFMT/Rondonópolis, com o apoio do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), propôs à da Associação Nacional de História (Seção Mato Grosso), organizar XII SEMANA DE HISTÓRIA em conjunto com o IV Encontro Regional de História da ANPUH-MT, somando forças em prol da inserção do Mato Grosso nesse importante debate. A relevância social deste evento está alicerçada no compromisso do historiador perante o desafio dos novos problemas sociais que ora se apresentam. Por outro lado se justifica no seu aspecto acadêmico, haja vista, a necessidade de nossos cursos de história estarem formando profissionais mais diretamente ligados à formação dos múltiplos sentidos vivenciais, de forma a garantir as singularidades subjetivas de cada pessoa, grupo social ou sociedades, respeitando suas contingências culturais, tanto espaciais como temporais. Para tanto estaremos construindo um espaço de discussões e debates onde será colocado em questão noções como liberdade, progresso e civilização em um tempo onde tanto falta algo que possa aproximar ao que entendemos como vida, em seu aspecto de direitos das pessoas onde a liberdade de escolha individual consiga conviver com as necessidades coletivas. Com isso poderemos, com esse debate, contribuir para que a vida possa se tornar mais condigna a cada habitante deste planeta. Este evento se afirma no desejo de que a modernidade ocidental seja encarada enquanto uma criação histórica problemática que mereça ser analisada para além das imagens (de liberdade, de progresso, de civilização) que ela projetou acerca de si mesma.
Comissão Organizadora: Prof. Ms. Luciano Carneiro Alves Prof. Ms. Odemar Leotti Profª. Ms. Marildes Ferreira do Rego Prof. Dr. Paulo Mário Isaac Profª. Ms. Marisa de Oliveira Camargo Prof. Ms. João Bosco da Silva |








