O Programa de Pós Graduação em Educação da UFMT: Limites e Possibilidades

 

Manoel Francisco de Vasconcelos Motta [18]


 

O Programa de Pós Graduação em Educação da UFMT vive hoje uma situação em que tem de lidar com suas fragilidades internas e com uma conjuntura material que impede o seu pleno desenvolvimento acadêmico. Este é um enigma que está posto, não só para este Programa, mas para todos os que se encontram na mesma situação. Ou seja, lutando para consolidar o seu corpo docente, sua produção intelectual, sua matriz curricular e seus grupos e linhas de pesquisa.

Este Programa, em particular, nestes últimos anos vem cotidianamente tentando decifrar este enigma. Em alguns momentos o risco de ser devorado parece eminente. A esfinge, simbolizada pelo preenchimento anual do Coleta CAPES, parece indecifrável e espanta até mesmo os mais destemidos coordenadores. Datas e prazos são conferidos exaustivamente, os registros são verificados a todo o momento. Nada pode escapar, nenhum detalhe pode ser esquecido. A tênue esperança é que no final do triênio da avaliação continuada a nota emitida, pelos seus pares do comitê de área, permita a continuidade do Programa.

As dissertações concluídas no segundo semestre de 2002 é parte desse empenho coletivo em mostrar a viabilidade e a importância deste Programa. Quem tiver a oportunidade de ler qualquer um destes trabalhos perceberá como vem amadurecendo nossa produção. Todos os grupos e linhas de pesquisa participaram, de algum modo, para a materialização desse resultado.

È necessário também salientar que podemos contar sempre com examinadores de outros Programas e de outras IES em todas as bancas examinadoras do PPGE. Esta participação, sem duvida, é uma confirmação político-pedagógica da qualidade das dissertações defendidas.

O elenco das dissertações apresentadas a seguir representa, em seu conjunto, o encerramento de um processo de transição vivenciado não só pelo PPGE, mas pela Pós Graduação na UFMT. É, portanto no interior deste processo que estamos mostrando os resultados deste semestre, lembrando que existe agora uma nova dinâmica de prazos na UFMT cujas exigências coincidem com o esperado pelas agências de Fomento.

Informo mais uma vez que todas as dissertações defendidas no PPGE encontram-se disponíveis para consulta no Centro de Tecnologia e Documentação Educacionais – CETEDE, do Instituto de Educação e na Biblioteca Central da UFMT

Defesas realizadas no semestre de 2002/02

TÍTULO

AUTOR

DEFESA

Sobre os Saberes Construídos no Processo de Socialização: Os Líderes do Movimento Estudantil da UFMT – Cuiabá.

Suely Dulce de Castilho

09/09/2002

Migração: Trabalho e Educação – Na Perspectiva de Pais e Filhos Migrantes.

Arali Maiza Parma Dalsico

03/09/2002

Instituto Pastoral de Educação e Saúde Popular (IPESP): Um Trabalho de Educação Popular Produzindo Conhecimento e Rede de Solidariedade.

Rosangela Carneiro Góes.

13/09/2002

Cartilha do Dever: A Instrução Pública Primária em Mato Grosso nas Primeiras Décadas Republicanas (1891 -1910).

Elizabeth Pippi da Rosa

11/10/2002

Os Conhecimentos Profissionais Presentes nos Professores de Matemática Egressos do Campus Universitários de Rondonópolis MT

Maria Elizabete Rambo Kochhann

11/10/2002

Escola Rural de Primeiro Grau Padre Dionízio Kuduaviziczc: Educação e Consciência Política na Formação do Trabalhador do Campo.

Wilson José Soares

14/10/2002

  

TÍTULO

AUTOR

DEFESA

As Práticas Excludentes do Cotidiano das Escolas Públicas de Cuiabá.

Wilce de Fátima Calazans Birck

28/10/2002

A Dimensão Ambiental e Educativa nas Comunidades Ribeirinhas de Figueira e Pai Caetano – Município de Rosário Oeste/ MT.

Odenil Santana da Silva

31/10/2002

Concepções e Práticas Avaliativas dos Professores que Atuam na Rede Municipal de Ensino de Cuiabá/ MT

Neusa Yoshiko Kawahara

14/11/2002

Representações Sociais de Professores da Rede Municipal de Cuiabá sobre as Famílias de seus Alunos (2001/2002).

Sheila de Souza Araújo

13/11/2002

Um Galo Sozinho não Tece uma Manhã: Os Professores e os Textos no Cotidiano de Aulas de Língua Portuguesa de 2º ano do Ensino Médio Regular

Roziner Aparecida Guimarães Gonçalves

14/11/2002

A Escola Vira outra Escola: O significado do Estágio Supervisionado na Formação de Professores de Língua Portuguesa e Literatura

Maria Claudino da Silva Brito.

18/11/2002

A Construção do Processo Educativo para a Conservação da Biodiversidade em uma Comunidade Pantaneira – Mimoso.

Luiza Helena Rodrigues

21/11/2002

Educação e Televisão: A Intencionalidade olítico-pedagógico de Programas Voltados para o Público Jovem.

Álvaro Fernando Ferreira Marinho

21/11/2002

Indisciplina no Ensino Médio: O Ponto de Vista dos Professores e Alunos de Uma Escola Particular de Cuiabá – MT.

Maria de Lourdes Sella

22/11/2002

   

TÍTULO

AUTOR

DEFESA

Representações Sociais de Educação Ambiental dos Alunos do Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Mato Grosso.

Larissa Silva Freire Spinelli

29/11/2002

As Representações Sociais do Jogo Educativo de um Grupo de Educadores da Educação Infantil.

Daniela Aparecida Zanetti

29/11/2002

Representações Sociais da AIDS entre Estudantes de Enfermagem e Comunicação Social da Universidade Federal de Mato Grosso.

Maria Aparecida de Amorim Fernandes

29/11/2002

As Representações Sociais de Gênero: Alunos do Curso de Mestrado em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso.

Érica Lopes Rascher

30/11/2002

Trajetórias de Professores Universitários Negros em Mato Grosso.

Tereza Josefa Cruz dos Santos

02/12/2002

O Ensino Laico entre a Cruz e a Espada: O Periódico Católico, a Cruz e o Ensino Laico no Período Republicano em Mato Grosso (1910 – 1924)

Marize Bueno de Souza Soares

06/12/2002

Subjetivação e Objetivação: A Educação de Jovens Mediada pela Relativização das Normas Escolares (Escola Cooperativa Coopema, Barra do Garças – Mato Grosso).

Anna Maria Penalva Mancini

09/12/2002

Significados Produzidos Sobre o Conceito de Função Matemática em Sala de Aula: Análise de uma Trajetória da Formação de Professores de Matemática ao Ensino Fundamental.

Edson Pereira Barbosa

13/12/2002

Migrantes Camponeses e Professoras Primária –Trajetórias de Vida entre o Espaço Privado e o Espaço Público.

Dolores Schussler

12/12/2002

 

TÍTULO

AUTOR

DEFESA

Educação Escolar na Gleba Mercedes I e II: Limites e Possibilidades.

Marleni Treuherz Giroto

16/12/2002

Educação para a Autonomia do Pensar no Estado de Direito Democrático.

Francisco de Assis Venega Filho

18/12/2002

A Educação Ambiental como Subsídio para Análise de Formação Profissional do Arquiteto na Universidade Federal de Mato Grosso

José Roberto Andrade

12/12/2002

A História da Matemática na Organização do Ensino dos Números Racionais.

Antonimho Gumiero

9/12/2002

Metacognição e Resolução de Problemas Matemáticos na Formação de Professores das Séries Iniciais do Ensino Fundamental.

Ana Fanny Benzi de Oliveira

19/12/2002

Ensino e Aprendizagem de Biologia: Uma Abordagem Teórica-prática com Aplicação na Aldeia Indígena Santa Terezinha, Por Alunos da Escola Billy Gancho, Município de Nova Xavantina/ MT

Perillo José Sabino Nunes

20/12/2002

Educação para o Pensar como Práxis e Meditação Libertadora no Contexto Escolar (Escola Municipal de Educação Básica Gastão de Matos Muller.

Aristides Januário da Costa Neto

20/12/2002

O Cotidiano Educativo, social e Ambiental de uma Comunidade Rural e as Expectativas sobre a Escola

Gino Francisco Buzato

20/12/2002

 


* Moacir Gadotti é professor titular da Universidade de São Paulo, Diretor do Instituto Paulo Freire e autor de várias obras, entre elas: A educação contra a educação (Paz e Terra, 1979: Francês e Português), Convite à leitura de Paulo Freire (Scipione, 1988: Português, Espanhol, Inglês, Japonês e Italiano), História das idéias pedagógicas (Ática, 1993: Português e Espanhol), Pedagogia da práxis (Cortez, 1994: Português, Espanhol e Inglês), Perspectivas atuais da educação (Artes Médicas, 2000) e Pedagogia da Terra (Peirópolis, 2000). Este artigo é resultado de diversas debates em encontros e congressos e particularmente na Conferência Continental das Américas, em dezembro de 1998, em Cuiabá (MT) e durante o Primeiro Encontro Internacional da Carta da Terra na Perspectiva da Educação, organizado pelo Instituto Paulo, com o apoio do Conselho da Terra e da UNESCO, de 23 a 26 de agosto de 1999, em São Paulo e do I Fórum Internacional sobre Ecopedagogia, realizado na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, Portugal, de 24 a 26 de março de 2000. O autor vem acompanhando esse tema desde 1992 quando representou a ICEA (Internacional Community Education Association) na Rio-92 (Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento), chamada de “Cúpula da Terra”, que elaborou e aprovou a Agenda 21. No Fórum Global-92, na mesma época, coordenou, ao lado Moema Viezer, Fábio Cascino, Nilo Diniz e Marcos Sorrentino, a “Jornada Internacional de Educação Ambiental” que elaborou o “Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global”. Este texto retoma idéias tratadas no livro Pedagogia da Terra publicado pela Editora Peirópolis de São Paulo.

[1] Este estudo foi desenvolvido com o apoio do PIBIC - Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (CNPq-UFES) 2001 – 2002.

[2] Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo. Professora e pesquisadora do PPGE/UFES na linha de pesquisa Educação Ambiental.

3 A intenção era constituir o grupo com professores/as envolvidos/as na pesquisa anterior, mas abri possibilidades para a adesão de outros/as professores/as.

4 Para Spink (1999), os discursos se constroem e são usados na ação. O próprio relato já é uma ação explicativa e de interação com o contexto.

5 Para a autora, o sentido do contexto é “intertextual”, ou seja, é a justaposição de dois textos: o texto sócio-histórico, que remete às construções sociais que alimentam nossa subjetividade; e o texto-discurso, versões de nossas relações sociais. Os conteúdos podem ter se originado em condições mais remotas constituindo o imaginário social, ou em produções locais e atuais, acontecendo em uma perspectiva temporal para além do contexto espacial.

1 Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais (PPG-ERN / UFSCar)

2 Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE / UFMT)

3 São tratadas como etnoespécies os taxa reconhecidos pelos informantes como sendo espécies, independente se na nomenclatura científica os mesmos são classificados como tal, i e, alguns informantes podem classificar diferentes fenótipos ou fases de vida de uma mesma espécie animal como pertencentes a etnoespécies diferentes. Ou num nível de detalhamento contrário, podem considerar como uma etnoespécie determinado taxa que abranja diversas espécies semelhantes.

* Prof. Adjunto Depto de Administração Escolar-UFSM. Doutor em Educação-UFSC

1 A expressão “ECOLÓGICA” aqui adotada é tributária da idéia de ECOSOFIA (Guattari, 1991). Com este conceito, o autor denomina de As três Ecologias como sendo a ecologia do social; a ecologia do ambiente e a ecologia do mental.

2 Pensador Português. Nascido em Coimbra em 1940. Doutor em Sociologia pela Universidade de Yale (1973). Professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e professor visitante em várias Universidades de outros países, dentre elas a Universidade de São Paulo.

 

[5] Pensador de nacionalidade Francesa. Graduou-se, inicialmente, em Direito e História pela Sorbone. Seu pensamento inquieto, no entanto, o levou a buscar alargar suas fontes de intervenção intelectual. É, hoje, considerado um “pensador” em função de suas contribuições nas mais diferentes áreas do conhecimento humano. Atualmente é Diretor Emérito do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica da França). Sua obra consta de várias dezenas de publicações na forma de livros traduzidos em vários idiomas e de artigos nas mais conceituadas revistas internacionais de diferentes disciplinas das ciências humanas. Visita com freqüência o Brasil, país que considera sua “segunda pátria”, onde ministra cursos e faz conferências sempre muito concorridas.

[6] Sobre esta representação de apartação entre natureza e cultura, sociedade e natureza, história e natureza, autores como Serres (1993) O contrato Natural, Moscovici (1977) A sociedade Contranatura, trazem uma importante contribuição, na medida em que questionam essa representação em seus pressupostos teórico-filosóficos-antropológicos.

[7] Entendemos aqui Educação ambiental como a forma como estão sendo discutidas e/ou viabilizadas as atividades e iniciativas relacionadas às questões ecológicas no âmbito da escola.

[8] Doctor en Sociología y Profesor-Investigador en el Área Académica de Educación de la UAE, México. Correo electrónico: dafabre@prodigy.net.mx y fabre50@hotmail.com

2 Entiendo Campo, no como un área de estudio a investigar, sino como una serie de procesos (sociales, económicos, políticos, etc.) que al problematizarlos -hacerlos un tema de investigación- puedo conocer y explicar.

3 Aún así, los movimientos ambientalistas son ordenados en tres grandes grupos, que aquí únicamente señalo: Los Conservacionistas o proteccionistas buscan preservar los paisajes y las especies vivas, los ecologistas luchan por mejorar el ambiente natural y la calidad de vida de los seres humanos bajo la presencia frecuente de un discurso homólogo al internacional y los ambientalistas son un grupo más politizado que plantea la protección del medio histórico como un nuevo estilo de desarrollo. Aclaro que con frecuencia se encuentran invertidos los nombres de los dos últimos grupos sin una explicación concreta.

4 Aquí presento siete de ellos que me parecen importantes para este texto, aún cuando no coincida con la postura del autor: 1. Pretende construir un horizonte de futuro, un proyecto de sobrevivencia y emancipación diferente al presente, 2. Busca desarrollar un poder de base capaz de contrarrestar al poder estatal, 3. Mantiene una posición crítica frente a la historia como un proceso lineal, frente al progreso como la acumulación de propiedades materiales y frente a la ciencia y la tecnología como modeladoras de una mejor forma de vida, 4. Muestra una composición social heterogénea, pero con el predominio de profesionales sociales y culturales entre sus dirigentes, 5. Combina estrategias de acción locales con reflexiones en torno a una problemática global, 6. Tiende a estructurar su organización de manera descentralizada y antijerárquica, cuando menos en un plano del Deber Ser y 7. Persigue la politización de la vida cotidiana y del ámbito privado, mostrando así un mayor interés en la transformación de conceptos y conductas.

5 Para mayor información sobre la historia del movimiento ambientalista es posible consultar: González Gaudiano (1995), Faleto (1983), Leff (1995), Montes y Leff (1986), Toledo (1991), Gallopin (1986), Zermeño (1997).

6 Siguiendo a Bourdieu (1971), en las sociedades modernas el "espacio social" es necesariamente pluridimensional debido a la división social del trabajo, la especialización y la consiguiente autonomización de sub-espacios específicos llamados Campos. Un campo se define como una red o una configuración específica de relaciones objetivas -que pueden ser de alianza y/o antagonismo, de competencia y/o cooperación- entre posiciones diferenciadas, socialmente definidas y en gran medida independientes de la asistencia física de los agentes que la ocupan. Ellos son, por ejemplo, el campo religioso, el campo económico, el campo de las clases (¿sociales?), el campo de poder, el campo artístico-literario, etc.

7 Por cultura popular entiendo la creación y recreación de experiencias y saberes que van construyendo las clases o sectores con carencias múltiples para poder sobrevivir en sociedad. Esta concepción, asociada al fenómeno de estudio, enfrenta lo popular contra lo antipopular, contra la posibilidad de desarrollar prácticas acordes con una trayectoria sociocultural. No pretendo establecer aquí una relación dicotómica entre elite/popular, donde lo primero implicaría la existencia de instituciones con proyectos coherentes entre la maximación de ganancias contra la lesión al medio ambiente y su contraparte la portadora de una propuesta con mayor saber popular que se presenta ahora como alternativo y sustentable.

8 Los ensayos de Enrique de la Garza (1992), Mariflor Aguilar (1990), Hugo Zemelman (1989 y 1992) y de Fernández (1994), permiten desarrollar mejor el concepto.

9 Giménez (1993) se acerca a la identidad "social" desde una "antropología de la subjetividad" aceptando que la noción de identidad forma parte de "una teoría de las representaciones y de eficacia en el proceso de construcción simbólica del mundo social", evitando reducirla como reflejo de algunos niveles privilegiados de la estructura social. Su tesis central es que ésta se desarrolla en la interacción social, en la confrontación cotidiana con los "otros", en la comunicación simbólica con "los demás" (término que me hace pensar en Heller, 1980 y 1999). Apunta que toda autodefinición es pluridimensional, que se construye por una red de pertenencia o referencia a colectivos y que, bajo condiciones específicas, puede ocurrir que destape desmesuradamente una sola de estas dimensiones de tal manera que cancele o anule todas las demás.

[9] Professora do Curso de Pedagogia – CECHOM – Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. Doutoranda em Educação pela UFSC, Linha de Pesquisa: Ensino de Ciências Naturais.

[10] Doutor em Sociologia e professor do ICLMA-UFMT.

[11] Mestranda em Educação pela UCG e professora da Rede Pública de Ensino de Mato Grosso.

* Mestre em Geografia e professora do Programa de Ciências Agro-ambientais da Universidade Estadual de Mato Grosso, Campus de Alta Floresta. E-mail: vc astilhobr@yahoo.com.br Este texto reproduz em parte palestra proferida no término do curso Parceladas em Pedagogia nessa instituição, em 2002, durante a Semana do Índio.

[12] Pequenas casinhas com uma porta e um buraco no interior.

* Comunicação oral apresentada no VI Congresso Internacional da Brazilian Studies Association – BRASA, Atlanta, Geórgia/USA, 4 a 6 de abril de 2002. Painel: Ocupação Territorial, Ordens Religiosas e Educação no Brasil. Núcleo Temático – Educação: novas visões. Esta pesquisa contou com a colaboração, de Ederson Halair Hammes, Samira Anbar, Nataniél Dal Moro e Suzana Gonçalves Batista, estudantes dos cursos de filosofia e história da UCDB, integrantes do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica – PIBIC/CNPq/UCDB.

* * Doutora em Educação pela UFSCar; professora e coordenadora do Programa de Pos-Graduação – Mestrado em Educação da Universidade Católica Dom Bosco – UCDB, Campo Grande / Mato Grosso do Sul e Editora da Revista Série-Estudos.

[13] Os padres salesianos são assim chamados numa referência a São Francisco de Sales; Dom Bosco escolheu-o como patrono devido ao seu exemplo de “caridade e doçura”, correspondendo assim “às aspirações íntimas que se preocupou também em manifestar e motivar” (A Família..., p, 9). Desse modo, a denominação “Família Salesiana de Dom Bosco” inspira-se no humanismo de São Francisco de Sales, revivido de maneira peculiar por Dom Bosco.

[14] A Congregação Salesiana foi criada pelo Padre João Bosco, em 8 de dezembro de 1859, em Turim, Itália. Com o nome de “Sociedade de São Francisco de Sales”, a Congregação reunia, à época, seu fundador, Dom Bosco, então com 44 anos de idade, e mais 17 membros; atualmente a presença salesiana estende-se a 130 (cento e trinta) países do mundo. Uma das principais atividades a que se destinam os salesianos são aquelas “diretamente” relacionadas à educação: “oratórios e centros juvenis, escolas de diversos graus e centros profissionalizantes, internatos e casas para jovens em dificuldade financeira, universidades, centros de catequese e de pastoral” (GIACOMETTO, MARTINELI e RINALDI, 2000, p.51).

[15] As inspetorias localizam-se em determinadas regiões brasileiras e possuem área jurisdicional própria da Congregação Salesiana; são dirigidas por uma inspetor designado pelo Reitor-Mor, sucessor de Dom Bosco e superior geral da Congregação, por meio de lista tríplice elaborada pelos salesianos daquela inspetoria. Importante notar que as seis inspetorias, aqui mencionadas, estão inseridas em praticamente todos os estados brasileiros e desenvolvem trabalhos envolvendo a formação educacional de crianças, adolescentes e jovens; oratórios, missões entre os indígenas, colégios, universidades, rádios comunitárias, editoras, paróquias, casas de acolhimento, entre outros.

[16] Percebe-se, por meio dos relatos dos padres e documentos salesianos, a concepção do trabalho indígena adotada pelos missionários; a idéia era a de que os índios eram “selvagens”, “ovelhas desgarradas do rebanho do Senhor”, cujas “almas” deveriam ser “salvas” pelos missionários, conforme se pode notar na afirmação de Pe. Carletti: “Os índios Bororo são agora já todos batizados e civilizados pelos seus fiéis e sacrificados Missionários – todos estrangeiros – vários deles com 30 ou 40 anos de Brasil, que não voltaram a Pátria de origem: almas heróicas, agarradas à sua segunda Pátria por um sentimento de amor, de dedicação infinita” (1944, p. 9). Mas, atualmente, o trabalho dos salesianos com os índios é internacionalmente conhecido, devido à preocupação em preservar os valores e a identidade indígenas. Uma das obras salesianas mais famosas sobre os Bororo é a Enciclopédia Bororo, de autoria dos Padres Ângelo Jayme Venturelli e César Albisetti (em três volumes) cujos prefácios são assinados por antropólogos reconhecidos internacionalmente como Claude Lévy-Strauss e Egon Schaden (BITTAR, 2000).

[17] Psicóloga, psicanalista, doutora em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, professora adjunta I do Departamento de Psicologia do Instituto de Educação da Universidade Federal de Mato Grosso. Pesquisadora da linha de pesquisa em História da Educação do programa de Pós-Graduação em Educação. gurondas@uol.com.br

[18] Coordenador do Programa de Pós Graduação em Educação - Doutor em História e Filosofia da Educação pela Universidade de São Paulo – USP.