Educadores e psicanalistas, uni-vos! Este livro é um bom passo nessa direção.  

 

TAMAIO, Irineu & CARREIRA, Denise. Caminhos e aprendizagens – educação ambiental, conservação e desenvolvimento. Brasília: WWF Brasil, 2000, 92p. (85-86440-04-3)

 

Por Michèle Sato


 

Os movimentos que marcaram a Educação Ambiental (EA) sempre se mostraram bifurcadas entre a teoria e a prática; entre a escola e a comunidade; entre a natureza e a sociedade. A inquietação desta Modernidade tardia, todavia, nos remete a importância de valorizar a práxis, buscando o elo da reflexão na ação. É esta a proposta do WWF, que nos conta suavemente os caminhos trilhados no Brasil, em diversas regiões, com múltiplas experiências e inovações. Além disso, resgata a importância da participação comunitária no processo da educação escolar, trazendo outras rupturas necessárias entre a EA formal e não-formal.

Usando e abusando do poder de comunicação, Irineu Tamaio e Denise Carreira desenham a EA brasileira, contando as histórias, através da linguagem interativa e de fácil compreensão. Em suas competências afiadas, @s autor@s vão trazendo elementos que nos auxiliam a construir a EA, não como um pacote hegemônico, mas através das experiências realizadas em cada realidade, mostrando uma dinamicidade multifacetada, de vital importância à EA. As experiências são expostas no intuito de fornecer novos elementos, além de enriquecer antigas propostas e nos convidar numa eterna ciranda mágica da EA.

Os ensaios não vêm em forma de puro relato, mas são enriquecidos com avaliações do próprio WWF, mostrando as aprendizagens e o desenvolvimento do processo. Não são ações pontuais, mas movimentos dinâmicos de organizações, governamentais ou não, que têm legitimidade e convicção em mostrar a EA. O design da publicação é ricamente convidativo, onde a cor e a estética se misturam com a ética e a competência. Seus mapas, fotografias e ilustrações vão comprovando que o WWF não é uma organização que se preocupa somente com a natureza, mas está inserida no discurso social mais amplo, comprometida com a comunidade e o desenvolvimento humano de cada biorregião.

Além disso, apresenta diversas organizações que contribuem com o movimento ecológico, não só brasileiro, mas também internacional. Uma lista de endereços finaliza a publicação, seduzindo @s leitor@s a contribuir com o rico debate, além de abrir portas para futuros diálogos na construção da EA na América Latina.