Determinantes sociais e políticos na formação do professor

 

Jefferson Ildefonso da Silva


 

RESUMO: Trata-se de um estudo sobre as exigências da formação profissional do professor que deve deter tanto os conhecimentos especializados de sua área de ensino e da sua atuação didático-pedagógica, quanto as habilidades necessárias ao exercício das relações sócio-políticas para a formação à cida-dania. A investigação bibliográfica e teórica toma como ponto de partida as considerações de Antônio Gramsci sobre o intelectual orgânico - especialista e político - que busca tornar politicamente possível o desenvolvimento intelectual da maioria social e cimentar a unidade cultural dos grupos e da sociedade. A função e a formação do professor assumem uma nova ótica, o que implica a revisão dos cursos de licenciatura e a integração de novos agentes forma-dores, como as organizações políticas e os movimentos sociais.

Palavras-Chave: Formação do Professor - Intelectual Dirigente - Consciência Política - Agentes Formadores.

ABSTRACT: This is a study on the teacher professional formation require-ments. The teacher ought to have either specialized knowledge in his teaching area and didactical and pedagogical work as the required abilities to practise social and political relationship in order to get citizenship formation. The theoretical and bibliographic inquiry takes as point of depart Antonio Gramsci considerations on the organic intellectual — specialist and political — who tries to become politically possible the intellectual development of the social majority as well to cement groups and society cultural unit. Teacher function and formation takes a new approach, which implies the revision of licentiateship courses and new formation agents integration, as political organizations and social movements.

Key-words: Teacher formation – Intellectual Director - Political conscience - Formation Agents.

9; O momento atual está marcado por tendências de ordem eco-nômica, cultural e social que geram desafios conflitantes e interferem nos destinos de povos e nações. A globalização econômica, as pro-postas pós-modernas de cultura e os movimentos sociais em busca de espaço na sociedade, apesar de terem preocupações colidentes, todos recorrem à educação e vêem nela um meio para atingir seus objetivos. Para garantir a sua eficiência todos a querem com a marca da quali-dade. Diversas qualidades de educação são propostas: a economia e a administração querem a qualidade de resultados através do Gerencia-mento da Qualidade Total; a cultura pós-moderna espera a qualidade que desenvolva a subjetividade e a cotidianeidade dos indivíduos; os movimentos sociais consideram a educação geradora de qualidade de vida social no exercício da cidadania.

9; A educação hoje não pode furtar-se a esses apelos, ainda que deva passá-los pelo crivo da crítica. Sua primeira atitude consiste em situar a qualidade primordialmente no processo de ensino-aprendiza-gem e no seu agente principal que é o professor. A qualidade do pro-fessor se faz a primeira garantia da qualidade da educação.

9; Em busca dessa qualidade, procuraremos ressaltar alguns as-pectos importantes para a redefinição do papel do professor, de sua atuação e de sua formação como dirigente especialista e político.

O professor como intelectual dirigente

As análises de Antônio Gramsci (1979) sobre Os intelectuais e a organização da cultura podem servir de referência para fundamentar as atividades do professor. É por si evidente que a ação do professor, como prática educativa, tem um caráter intelectual, enquanto se efetiva pela mediação do conhecimento e da formação das consciências. Entretanto, a prática educativa envolve uma série de relações com a práxis social, tanto no nível da prática produtiva como no nível da práti-ca política, que se faz necessário esclarecer a abrangência de seu caráter intelectual e, consequentemente, da função intelectual do pro-fessor que faz dele um intelectual dirigente.

9; As dificuldades da análise das relações entre a educação e a política, e mais especificamente das relações entre a educação escolar e a educação política, a prática escolar e a prática política, repercutem nas tentativas de definir a ação dos educadores como sustentadora de sua função social de intelectuais.

9; Antes de tudo, é importante retomar que o sentido de intelec-tual, expressivamente ampliado para além dos limites definidos pela atividade de natureza estritamente intelectual, não nega nem suprime a relação com essa atividade. Ainda mais, se o significado social e polí-tico da função de intelectual se faz determinante em sua acepção am-pla, tal significado continua envolvendo os elementos intrinsecamente intelectuais contidos na organicidade que é própria da função social.

9; Gramsci não considera os intelectuais em si, mas sempre os vê na sua relação e ligação com os "simples", da mesma forma que consi-dera a ligação entre teoria e prática. A isso acrescente-se sua carac-terística em entender essa relação e ligação não no nível abstrato do conhecimento fechado em seu âmbito epistemológico, mas no nível histórico e pela mediação da política:

A relação entre filosofia ‘superior’ e senso comum é assegurada pela ‘política’, (...). Se ela (a filosofia da práxis) afirma a exigência do contato entre os intelectuais e os simplórios não é para limitar a atividade científica e para manter uma unidade no nível inferior das massas, mas justamente para forjar um bloco intelectual-moral, que torne politicamente possível um progresso intelectual de massa e não apenas de pequenos grupos intelectuais. (Gramsci, 1978. p. 19-20 - grifos meus).

Assim, é a função político-social desempenhada pela sua ativi-dade intelectual que configura socialmente o intelectual. Essa função é a de direção e organização das camadas sociais: aí o intelectual atinge a sua plenitude como intelectual dirigente e orgânico. O intelectual diri-gente e político cimenta organicamente a unidade cultural da sociedade e é agente da hegemonia criadora do consenso no âmbito dos grupos sociais e da sociedade.

9; O que se busca é a ordem e a coerência entre os problemas da prática das massas e os princípios da teoria dos intelectuais. Essa ordem é muito mais política que lógica, isto é, significa a ordem em sua função metodológica, o organon, enquanto mantém a prática das mas-sas no caminho de suas realizações de significado coletivo, que é polí-tico. É por isso que na formação do consenso, como fruto imediato da atividade orgânica do intelectual, "a forma racional, logicamente coe-rente, a perfeição do raciocínio que não esquece nenhum argumento positivo ou negativo de certo peso, tem a sua importância, mas está bem longe de ser decisiva; (...) Pode-se concluir que o processo de difusão das novas concepções ocorre por razões políticas, isto é, em última instância, sociais" (Gramsci, 1978: 25 e 26).

9; As razões políticas influenciam o tipo e o modo de atuar deste intelectual e os modificam conforme a organização concreta da socie-dade. A partir dos interesses populares, há uma tendência em valorizar e priorizar as preocupações sociais. O povo tem como sua primeira necessidade a conquista dos benefícios econômico-corporativos para melhoria das condições de vida, exigindo de seus intelectuais funções mais especificamente políticas e dirigentes. Nesse contexto, a escola assume maior relevância, e a luta pela valorização dela e do educador faz parte das lutas populares. Os educadores adquirem um espaço maior e têm perspectivas de assumir, na verdade, a função de dirigen-tes, podendo assim ser colocados no interior do processo político, junto com os demais intelectuais.

9; Como educador escolar organizador de conhecimento e, mais especificamente, como professor colocado frente aos alunos na função prioritária de difusor, seu papel de intelectual apresenta problemas concretos em sua prática acadêmico-pedagógica. Pelo fato de o educa-dor escolar trabalhar mais diretamente com o conhecimento, de caráter intrinsecamente intelectual, corre-se o risco de identificá-lo com os "intelectuais tradicionais", isto é, independentes de sua ligação política. É importante a advertência de Gruppi (1980: 89):

Dirigente é quem possui uma especialização cultural e, ao mesmo tempo, uma visão do processo histórico no qual se insere a sua especialização. Assim, avalia enquanto político a sua própria posição na sociedade e atua politicamente no processo social, tornando sua presença mais incisiva precisamente graças à sua especialização.

Há professores que se contentam com seu compromisso com a ciência e com o conhecimento universal e abstrato. No máximo, admi-tem estes as conseqüências políticas de sua "ação cultural", como resultados mais ou menos mecânicos e que estariam foram do âmbito de suas preocupações e de sua atuação específica. Entretanto, não há lugar para esses educadores autônomos; é preciso considerar o pro-fessor como intelectual político, como intelectual orgânico e dirigente: especialista e político. Todavia, essa caracterização do educador esco-lar traz consigo diversos e sérios problemas que precisam ser escla-recidos.

9; Não é imediatamente evidente que o educador escolar tenha uma função social que o defina como intelectual dirigente ou orgânico. Ainda mais, tal definição permaneceria abstrata se não se especifi-casse de que classe fundamental é intelectual orgânico, e como ele pode sê-lo no próprio modo de ser, isto é, como se dá a integração de sua especialidade com a política, pela qual se torna dirigente.

9; Se se considera concretamente a atividade do educador em re-lação à classe dominante, não é evidente sua função de organicidade, pois a tarefa da escola e do ensino não aparece como fundamental para a organização do dominante. A classe dominante, que faz apro-veitamento do conhecimento escolar para a formação dos seus inte-lectuais, não reconhece o papel da escola na formação política, limitando-a ao âmbito puramente ideológico. O educador escolar é para eles, no máximo, um intelectual subalterno. Diante disso, pode ser, no mínimo, presunção considerar o educador escolar como um intelectual orgânico da classe dominante.

9; A consideração do educador escolar como intelectual dirigente dos trabalhadores e do povo traz outra ordem de problemas. Primei-ramente, a escola que está aí não é a escola do povo e o educador dessa escola não é de pronto, pelo simples fato de estar nela, seu intelectual dirigente. Ainda mais, para considerar o educador escolar como possível intelectual dirigente dos trabalhadores, não basta vê-lo em relação com o povo no sentido de se aproximar de seus interesses através do saber ou da consciência crítica, é necessário recuperar a ligação da prática educativa com a educação política, em cujo âmbito se desenvolve a cidadania. Assim o papel de intelectual dirigente não advém ao educador escolar pela sua tarefa específica escolar, fechada em si, mas pode e deve ser uma conquista que caminhará passo a passo com a conquista das organizações populares sobre a escola.

A característica do intelectual dirigente é estar integrado ao desenvolvimento prático e político da camada popular, é se identificar com ela por esse trabalho e, finalmente, é ser por ela reconhecido na consciência mútua de pertença. Sua intenção, seu compromisso, sua tomada de partido, sua orientação política são necessários, mas funcio-nam como requisitos e elementos de sustentação. O que importa é o movimento objetivo, criado pela mediação da educação política, que o levará participar na tarefa organizatória e educativa, em ação pelos movimentos e organizações políticas. Os educadores não podem ter a presunção de substituir os dirigentes políticos, mas também não devem considerar-se excluídos da tarefa política de dirigentes. Algo muito im-portante e desafiador lhes está à frente: conquistar o lugar de inte-lectual dirigente e colaborar para a organização popular na sua luta por uma nova ordem social e econômica. Por isso, é importante concretizar o papel do educador escolar como intelectual dirigente através da fun-ção que lhe cabe, não apenas como criador de ciência e pesquisador, mas especialmente em sua função de "difundir criticamente as verda-des já descobertas, ‘socializá-las’ por assim dizer" (Gramsci, 1978: 13).

9; Essa função difusora do professor não se realiza pelo simples "passar adiante" ou espalhar para um grande número o que foi desco-berto individualmente ou no recôndito da "Academia" (cf. Ribeiro, 1984: 57 ss.). Sua função difusora tem um caráter eminentemente político e por isso exige que as descobertas da ciência e da filosofia tenham uma relação imediata com o processo de transformação do modo de agir dos homens e da realidade social. A função difusora do professor é, necessariamente, um função crítica, tendo como referência a direção ético-política, enquanto o conhecimento se faz norma de ação e provo-ca o envolvimento da maioria no processo de transformação da reali-dade:

Esta relação viva entre contexto e intelectual é que se constitui no fundamento para que a relação entre conhecimento produzido e conhecimento a ser assimilado vá deixando de ser mecânica, rotineira, desprovida da intervenção da consciência. (Ribeiro, 1984: 63)

Neste contexto, o educador escolar colabora na formação dos intelectuais que as classes dominadas criam para si. Fornece direta-mente os elementos de conhecimento e crítica necessários a todo inte-lectual, e ainda contribui na formação da personalidade social pelo processo de desenvolvimento da consciência de classe, sem a qual não há dirigente.

9; Com essas considerações procuramos elucidar a função de intelectual dirigente do educador escolar e como tal função integra de forma inseparável sua atividade pedagógica de especialista e sua ati-vidade política. Assim, perde sentido a discussão para se saber qual dessas atividades deve prevalecer, pois não são duas atividades que se unem, mas uma única, definida simultaneamente pelo pedagógico e pelo político, por isso mesmo totalmente pedagógica e totalmente política.

A formação do professor

A formação tradicional existente hoje não tem condições de responder satisfatoriamente às novas exigências criadas pela função de dirigente que o educador escolar deve atualmente assumir. Os cur-sos de formação do educador escolar estão de tal forma calcados pela visão estreita de educação e de professor que sua reformulação curricular perdeu a urgência que tivera em momentos anteriores e ce-deu o lugar prioritário para a revisão do conteúdo de uma formação que possibilitasse ao professor um novo comportamento.

A formação da consciência do professor

A formação da consciência, no contexto de uma educação inserida na prática política, é o objetivo primordial da formação do pro-fessor. Não se pretende a formação de uma consciência abstrata, mas de uma consciência que tenha como referencial a prática educativa em sua relação com a prática política, aí a consciência do professor tem sua expressão maior na consciência política.

9; Tendo presente o processo de desenvolvimento da consciência do professor, do sentido que esta confere à sua prática educativa, pode-se distinguir, em linhas gerais, três etapas ou níveis de cons-ciência.

9; Em primeiro lugar, consideramos a consciência romântica dos professores que tem se manifestado de variadas formas nos mo-mentos históricos da educação brasileira. O "entusiasmo pela educa-ção" do início do século, seguido pelo "otimismo pedagógico" e expres-so mais tarde nas "teorias não-críticas" manifestam a corrente do libe-ralismo, profundamente marcada pela tendência do humanismo cen-trada na crença da grande potencialidade da natureza humana do indivíduo (cf. Saviani, 1983: 28-29 e 34-35).

9; Uma das primeiras manifestações dessa consciência romântica está muito ligada à visão de que o papel do professor está inserido na grande missão da educação de formar o homem em sua grandeza essencial, assim como de ser instrumento das grandes transformações sociais. O professor assume, nesse contexto, uma função que extra-pola suas forças individuais, sendo justificada somente por uma "voca-ção" religiosa ou social. Consequentemente, o educador deve incor-porar um compromisso que exige dedicação total e confiança num resultado que recuperaria os origens perdidas ou que construiria a no-va ordem recuperada. O saudosismo romântico mistura-se com o utopismo esperançoso, e na consciência do professor se fixa a convic-ção de sua destinação para realização dessa empreitada:

A idéia do professor vocacionado é uma idéia veiculada entre os docentes e que cinde a tarefa pedagógica por um subjetivismo impregnado de um sentido deveras idealista (romântico) segundo o qual nasce-se professor, segundo o qual são requeridas algumas virtudes como tolerância, paciência, parcimônia, paternalismo e descompromisso social, enfim, uma profissão superestrutural. (Martins, 1984: 27-8).

Marcados pelo pedagogismo, há professores que possuem uma firme crença no valor da prática pedagógica e do saber nela contido, como ponto de partida para qualquer compromisso político da educação. A crença na prática pedagógica, em vista em sua especifi-cidade voltada para o saber erudito e para a transmissão e assimilação dos conteúdos da ciência, é tão forte que ela realizaria por si só o político, tornando a consciência política dispensável ou secundária (cf. Martins, 1984: 82).

Pode-se também constatar como um novo romantismo a cren-ça no valor da ciência e do saber, caracterizando o professor como o "sábio", criador da grande ciência e descobridor das técnicas de ponta definidoras dos rumos do progresso da sociedade. A ciência e a tecno-logia detêm o segredo do desenvolvimento, e o grande intelectual tem consciência de seu lugar, de seu mérito, de sua excelência. Neste caso o romantismo naturalista cede lugar ao sonho iluminista que "não lida com opiniões, mas com verdades ou conceitos; e (...) deve criar os competentes (isto é, a ‘gerência científica’) e o saber científico-tecno-lógico, tido, por muitos, como a verdadeira força produtiva da economia contemporânea" (Chaui, 1985: 10).

9; Mais recentemente, novas tendências, ainda marcadas antago-nicamente por certo romantismo, influenciam a consciência dos profes-sores. Algumas retomam sua força na busca da recuperação da inten-cionalidade e da subjetividade dos indivíduos ameaçadas pela ciência objetivista e pela técnica. O desencanto com as formas sistematizadas ou socialmente comprometidas de educação é compensado pela aspi-ração por uma educação fundada no desabrochar do subjetivismo e nas formas espontâneas da vida e do cotidiano, mais sintonizadas com os jovens e sem envolvimentos profundos.

9; A partir dessas considerações pode-se concluir que o estágio romântico da consciência do professor, com todas as suas variantes e suas mutações, não é suficiente para caracterizar a formação do edu-cador dirigente. É necessário ultrapassá-lo, ainda que contenha ele-mentos a serem recuperados de diversas formas.

9; Em segundo lugar, constatamos que a consciência sindical dos professores se manifesta na caracterização como trabalho que sua atividade educativa adquire, constituindo-se um dos momentos de ver-dadeiro salto qualitativo. A relação entre o trabalho produtivo material do sistema de produção com o trabalho do ensino fornece as bases da identificação entre os trabalhadores do ensino e os trabalhadores da produção. A exploração da mais-valia no trabalho educativo e sua liga-ção com o conjunto produtivo fazem do professor um trabalhador "produtivo", portanto um trabalhador explorado e expoliado:

Apenas é produtivo o trabalhador que produz mais-valia para o capitalista ou serve à autovalorização do capital. Se for permitido escolher um exemplo fora da esfera da produção material, então um mestre-escola é um trabalhador produtivo se ele não apenas trabalha as cabeças das crianças, mas extenua a si mesmo para enriquecer o empresário. O fato de que este último tenha investido seu capital numa fábrica de ensinar, em vez de numa fábrica de salsichas, não altera nada na relação. (Marx, 1984: 106, v. 1/2)

No contexto histórico do desenvolvimento da sociedade capita-lista, a aproximação entre os trabalhadores do ensino e os trabalha-dores da produção tornou-se possível com o processo de proletari-zação dos professores:

(...) um grande número de professores, freqüentadores originários da classe média, e mesmo muitas vezes ligados tipicamente à classe média por seus hábitos e gostos, vêem que seu status social, suas condições de vida assim como as perspectivas e o sentido de seu trabalho se degradam. É o momento em que as idéias progressistas os atingem a partir de uma tomada de consciência de sua verdadeira situação: eles se organizam, se sindicalizam, provocam lutas massivas e fornecem um número elevado de militantes aos partidos de esquerda. (Snyders, 1976: 53)

O professor, envolvido por essa situação histórica, vai revendo seu autoconceito e o sentido social de sua tarefa. Uma visão, muitas vezes enlevada e mistificada, de se achar integrado num processo de mobilização cultural, vai cedendo lugar, pela força dos fatos, negativa-mente a uma atitude derrotista de desconforto, de desalento e de falta de perspectiva, ou positivamente a uma revisão de rota capaz de abrir novas perspectivas tanto em relação a um novo sentido da cultura, quanto a uma nova orientação política em direção à luta dos traba-lhadores (cf. Snyders, 1976: 306) Neste contexto, a consciência de traba-lhador produtivo do ensino tem bases objetivas e pode determi-nar atitudes coerentes e identificadas com a luta dos trabalhadores da produção.

9; Ainda que teoricamente tal consciência não esteja clara para grande parte dos professores, ela se traduz na prática como lutas rei-vindicatórias de salário, de confronto com os proprietários de escolas e com o Estado, e como empenho para se organizarem como categoria. Em uma palavra, os professores já começam a se considerar sindi-calmente como trabalhadores:

A nova consciência e a nova prática dos trabalhadores da educação é se sentirem com trabalhadores e sentirem a necessidade de se associarem como tais, e organizarem sua luta nos mesmos moldes dos trabalhadores da produção, do comércio... e sobretudo se sentirem solidários nos mesmos objetivos de questionar o modelo sócio-político e econômico, o Estado, a organização do trabalho... que os gera e os explora como trabalhadores. (Arroyo, 1980: 17-8).

Essa consciência sindical do professor se desenvolve também no sentido de tomar sua atividade educativa, sua tarefa de ensino, não mais como um ato individual nascido de seu empenho pessoal, mas como uma atividade de sentido profissional. Como profissão, a ativida-de educativa se amplia para além dos limites de seu exercício, para se situar no âmbito geral de suas finalidades e dentro do processo do desenvolvimento da sociedade onde a atividade tem o significado do envolvimento e do compromisso do indivíduo como verdadeira tarefa social: "Afinal, nenhum profissional é tal por si mesmo; ele é apenas ‘profissional’ enquanto presta serviços a uma sociedade; portanto, todo profissional tem funções que o dimensionam socialmente" (Gadotti, 1981: 7).

9; O trabalho de formação do professor como profissional com-prometido tem, assim, seu ponto de partida no desenvolvimento de sua consciência sindical que o situa no centro de sua atividade profissional no sentido de compromisso de classe com os trabalhadores. Entretan-to, para alcançar esse nível de compromisso de classe é necessário que a consciência sindical se abra e se expanda até incorporar plena-mente a consciência política.

9; Em terceiro lugar, o professor, tendo presente com clareza o sentido de sua atividade própria como intelectual e educador das cons-ciências, compreende a exigência de marcar essa atividade com a consciência política que lhe revela toda a dimensão da atividade edu-cativa e compromete sua prática nesse sentido.

9; Desta forma, a consciência política do professor não se esgota em suas lutas corporativas nem em suas organizações sindicais de ca-tegoria. Importa-lhe que amplie sua consciência na dimensão do papel político que tem pela sua prática educativa (que já rompeu os limites do pedagógico) em consonância e colaboração com a educação política.

9; Adentrar-se por esse caminho implica, para o professor, reves-tir-se do significado de sua tarefa definida em vista do ideal de cons-trução de uma nova sociedade. Aí é possível recuperar, de modo con-creto, o duplo sentido de utopia e vocação da tarefa do educador, que no romantismo permanecia no universo da abstração. Os professores tomam consciência de serem "militantes de uma causa política, partí-cipes de uma nova insurreição, à qual deveriam dedicar-se com mística revolucionária que não é outra coisa senão um amor interno e profundo para com as massas exploradas e dominadas no passado" (Vallecillo, 1985: 70; cf. Gadotti, 1986: 39).

9; A consciência política do professor compreende que todo seu arcabouço intelectual de saber se relativiza e é invadido pela vivência das preocupações populares. O saber torna-se aí elemento para assu-mir o sentir do povo, ajudando-o a se desenvolver para outros níveis:

O erro do intelectual consiste em acreditar que se possa saber sem compreender e, principalmente, sem sentir e estar apaixonado (não só pelo saber em si, mas também pelo objeto do saber), isto é, em acreditar que o intelectual possa ser um intelectual (e não um mero pedante) mesmo quando distinto e destacado do povo-nação, ou seja, sem sentir as paixões elementares do povo, compreendendo-as e, assim, explicando-as e justificando-as em determinada situação histórica, bem como relacionando-as dialeticamente às leis da história, a uma concepção do mundo superior, científica e coerentemente elaborada, que é o ‘saber’; não se faz política-história sem esta paixão, isto é, sem esta conexão sentimental entre intelectuais e povo-nação. (Gramsci, 1978: 139)

Essa consciência política que se liga por dentro com os gran-des anseios populares, é um compromisso de tal monta que não pode se desenvolver sem um ato pessoal do professor, que o responsabiliza por uma causa: é a opção política como ato de sua consciência. Tal opção política tem sentido enquanto significa um "tomada de partido" diante da ambivalência da prática pedagógica e enquanto significa uma posição frente a estas ou aquelas forças políticas já presentes no con-texto da prática pedagógica como prática ligada à formação da hege-monia. Ela é, para o professor, a direção de sua ação e a plenificação do seu sentido como dirigente.

9; A consciência política é o objetivo máximo de toda a formação do professor que para isso postula a influência determinante da prática política e a interferência da experiência da militância. O caminhar junto é, para o educador, a forma de crescer e cumprir sua tarefa, de concre-tizar seu papel de militante como intelectual orgânico com a "função di-retiva e organizativa, isto é, educativa, intelectual" (Gramsci, 1979: 15).

A formação técnica do professor

A formação da consciência do professor se apoia também na sua formação técnica como condicionante da eficiência do seu papel de agente intelectual que busca tomar politicamente possível o desen-volvimento intelectual da maioria social e a cimentação da unidade cultural da sociedade. A interferência do conhecimento no desenvol-vimento das consciências, o papel mediador da educação no processo de produção-apropriação dos bens culturais, além da função de diri-gente, não deixam dúvidas acerca da necessidade da aquisição por parte do professor de uma base sólida de conhecimento sobre o mun-do, o homem e a sociedade; de como a prática educativa se tem efeti-vado historicamente no conjunto das relações sociais; e ainda de que meios pode dispor para o exercício de sua atividade pedagógica e como usá-los para garantir a eficiência de sua ação.

9; Entretanto, não se pode esquecer que a consciência política do professor é imprescindível para que o conhecimento seja cientifica e tecnicamente organizado segundo os interesses populares e assim apropriados pela grande maioria da sociedade. Por isso, é um perigoso viés julgar que o povo nada mais pede e necessita a não ser de professores tecnicamente competentes e de escolas bem equipadas e que funcionem bem. É importante lembrar-se de que a escola com-petente não deixa de manter sua função de "aparelho ideológico" das camadas dominantes. Somente a força de uma atitude política cons-ciente poderá dar-lhe novos rumos e "inverter-lhe o sinal". Mais uma vez, o técnico é definido e determinado pelo político, também no nível da consciência social, onde se perfaz a educação.

O importante é que pelo menos se tenha a consciência da complexidade do problema e que não nos iludamos apenas em multiplicar escolas, preparar professores que saibam gramática e nada mais. Não é suficiente que a escola tenha boa didática, bons professores e bons livros. (Manacorda, 1986. p.64)

Os agentes da formação do professor

A formação técnica e política do professor como intelectual diri-gente torna-se tão exigente que as instituições específicas de sua for-mação não têm condição de cumprir por si só esta tarefa. Na medida em que a atividade educativa extrapola o âmbito estritamente pedagó-gico, também a formação do professor não se perfaz no interior das relações escolares. Ao se maximizar a sua formação pelo desenvol-vimento de sua consciência política, torna-se necessário incorporar os instrumentos de formação política ao contexto dos agentes de forma-ção. Entre esses agentes, há aqueles que estão voltados mais direta e imediatamente para os elementos pedagógicos, e há aqueles que têm nos aspectos políticos sua maior preocupação. O inter-relacionamento e a complementaridade são indispensáveis para o êxito da formação do professor.

A escola

Social e historicamente o primeiro agente da formação do pro-fessor é a escola. Ela cumpre o seu papel enquanto propicia os ele-mentos formadores da atividade técnico-profissional, como exercício pedagógico da difusão do conhecimento, com a qual o professor instru-mentaliza sua tarefa política. Entre esses elementos, destacam-se a formação científica do conteúdo do conhecimento e a formação crítico-filosófica da compreensão da realidade histórica da sociedade e do ho-mem nela.

9; No âmbito das relações intra-escolares, a prática educativa é também elemento importante da formação do professor. Especifica-mente, a relação professor-aluno é educadora em diversos níveis: no nível das relações humanas, onde indivíduos se relacionam na produ-ção de sua existência pela mútua comunicação e apropriação de bens intelectuais e valores; no nível das relações culturais, onde o encontro da experiência e o pensar espontâneo do aluno com a elaboração or-ganizadora do professor definem rumos para uma concepção crítica e unitária do mundo (cf. Gramsci, 1978. p.21 e Silva, 1982. p.103-4); no nível das relações políticas, onde o aluno é portador da experiência popular, podendo ser o elo mais imediato de ligação do professor com os interesses populares e servindo-lhe de suporte para que seu tra-balho mantenha o sentido de atendimento à população. (cf. Snyders, 1976. p. 325)

9; Se a prática pedagógica é indispensável ao processo de forma-ção do professor, ela não deixa também de ser para ele um elemento ambíguo que pode distanciá-lo de sua proposta de avanço e empenho político, arrastando-o para a monotonia da prática iterativa e desorien-tando-o com inúmeros pequenos e imediatos problemas da cotidianei-dade e do ritual burocrático da escola. Por isso "somente o educador que for capaz de discernimento crítico saberá como assumir sua prá-tica pedagógica como elemento positivo de educação". (Silva, 1981, p. 42)

9; Outro fator de formação do professor no contexto da escola é a influência de colegas comprometidos pedagógica e politicamente com as causas populares. Estes, não apenas se tornam apoio para os inex-perientes (cf. Ribeiro, 1984. p. 267), mas podem também agir sobre seus colegas no sentido de levá-los a se envolverem na luta política. Entretanto, a pressão da instituição escolar sobre o professor compro-metido com os interesses populares pode ser enorme, dificultando ou até mesmo levando à paralisação qualquer movimento de perspectiva política. Por estes problemas, ficam evidenciadas mais uma vez a limitação da escola e a necessidade de que a formação do professor se complete e crie bases mais amplas através da prática política.

9; A escola, como aí se encontra, dificilmente poderá cumprir essa tarefa, tornando-se necessária sua ligação com outras agências formadoras da sociedade, no sentido de participar da educação política dada nessas agências. Este é um dos pontos cruciais para a direcionar a reformulação dos cursos de Pedagogia e Licenciaturas.

As organizações populares

Para todo intelectual, e em especial para o educador escolar, o estreito relacionamento com as camadas populares é o primeiro pres-suposto da sua formação política. O relacionamento político com as ca-madas populares requer a identificação do professor, não com a justiça social em abstrato nem o bem comum geral, mas com seus interesses e valores específicos e com suas lutas: aí entra a atuação da classe trabalhadora e das camadas populares, assumindo o papel de reedu-cadoras de seus intelectuais.

9; Este relacionamento com as camadas populares, de grande valor formativo para o educador escolar, assume variadas formas con-forme as condições do momento histórico. Sua concretização se faz ordinariamente através da presença e participação nas organizações e movimentos populares ou em entidades ligadas a eles. "Especial atenção merecem as organizações, movimentos e comitês de preo-cupações populares que estão se articulando em vista da organização das classes subalternas, onde o educador é chamado a uma nova prática" (Silva, 1981: 42). A riqueza da colaboração dessas organiza-ções para a formação política do professor é mais claramente perce-bida pela experiência de quantos a viveram no sentido de serem levados a rever sua prática pedagógica desde suas bases e a reorga-nizar sua compreensão da sociedade e a hierarquia dos seus valores. Mais do que uma verdade abstrata, esta é uma experiência de vida de profundo significado filosófico e político.

As organizações políticas

No conjunto das organizações de classe e políticas, importa realçar em primeiro lugar as organizações e movimentos da própria categoria dos professores como trabalhadores do ensino, como os sindicatos ou associações.

A formação política do educador passa pela sua prática sindical de trabalhador. As conquistas, as ambigüidades e os percalços do movimento sindicalista dos professores mostram a importância dessa prática na conquista de um espaço político, não mais a reboque dos "políticos", mas com voz própria, podendo lutar por libertar a educação da subserviência ao poder dominante e se aliar como força às reivin-dicações dos trabalhadores (cf. Ribeiro, 1984: 258ss.).

9; A formação política dos professores, gestada no interior dos movimentos e organizações sindicais, se plenifica através da influência do partido político e da prática da militância político-partidária (cf. Gramsci, 1979: 15).

9; O partido, como "intelectual coletivo" e tendo como função "ela-borar sua categoria de intelectuais orgânicos (...) diretamente no cam-po político e filosófico" (Gramsci, 1979: 14), se faz o formador por ex-celência da consciência política do professor.

9; Através do partido, o professor compreende a real dimensão social e política de sua atividade como inserida no projeto de formação de uma sociedade, que está além dos interesses imediatos da prática corporativa. Este é um aprendizado prático de grande valia enquanto lhe oferece condições de se abrir às grandes preocupações e o lança continuamente para os objetivos de construção de uma nova socie-dade.

9; Como o partido não apenas organiza a luta, mas também for-nece elementos teóricos de sua compreensão, o professor, em seu processo de formação, é chamado a rever constantemente a sua teoria à luz tanto da prática política, quanto da teoria desenvolvida pelo par-tido. Doutra parte, o professor pode dar sua colaboração ao fornecer elementos de sua especificidade para a melhor compreensão e desen-volvimento da teoria do partido.

9; Dificilmente se poderia compreender a existência de um profes-sor vinculado à prática política, sem que sua formação estivesse mar-cada pela influência e atuação do partido.

Portanto entendo que a existência, no interior da categoria, de professores que sejam concomitantemente militantes de partidos políticos legais e / ou ilegais, é de fundamental importância no processo de educação dessa categoria, isto é, de elevação do grau e qualidade de consciência sobre o significado social dessa mesma categoria, da necessidade e importância do trabalho que se realiza para o conjunto da população. Necessidade e importância essa que se constituem no fundamento, bem como nos limites de seu peso político enquanto categoria profissional. (Ribeiro, 1984. p. 262-3)

A experiência tem mostrado que a prática pedagógica só se modifica realmente no sentido político sob a influência de uma prática política conseqüente de largo espectro. Compete aos professores lutar para que sejam criadas as condições para que todos os comprome-tidos com a causa popular possam participar efetiva e diretamente da militância em partidos organizadores dessa luta.

9; Entretanto, a formação dos professores pelo partido não deixa de ter problemas. De fato, a formação pelo partido é uma formação "ideológica", enquanto parte do ponto de vista dos trabalhadores e de sua compreensão da sociedade, e se orienta no sentido de efetivar a transformação dessa sociedade. A educação ideológica, necessária na definição da ação de qualquer intelectual político, corre o risco de se transformar em mera doutrinação quando adquire tendências sectárias que privam o intelectual de seu julgamento crítico. Este risco torna-se mais longínquo quando o professor tem bases científicas e filosóficas mais sólidas e uma compreensão crítica de suas funções.

9; A atuação do partido plenifica a dos outros movimentos e orga-nizações políticas, e faz com que a formação política dos professores, que teve seu início nas lutas pedagógicas acopladas às lutas sindicais, se complete no espaço mais amplo da luta política. Por isso, o profes-sor atinge um alto nível de formação quando é capaz de compor, sem exclusões ou concessões, tais práticas conflituosas no conjunto de sua vida profissional.

Conclusão

As reflexões, aqui expostas, nasceram da necessidade de buscar novos rumos para a formação do professor. Partiram da insufi-ciência, já amplamente constatada, da atual formação desenvolvida nos atuais cursos de Pedagogia e Licenciaturas. A compreensão da educação, profundamente inserida na sociedade concreta e por ela de-terminada, mostra que a formação do professor precisa orientar-se no sentido do desenvolvimento da sua consciência política.

9; Para concretizar essa formação são necessários instrumentos de ordem pedagógica e política. A escola é recuperada em sua tarefa de formar pedagógica e tecnicamente o professor, na medida em que ela se deixa envolver pelo caráter político da função desse professor e pela influência dos movimentos e organizações políticas populares. Assim, torna-se possível a influência da prática política na formação dos professores e lhes são dados os meios de se recolocarem frente às necessidades do povo e de participarem de suas lutas. Abre-se, para o professor, uma nova forma de realizar sua vida profissional, concreta e historicamente participante da busca de uma nova ordem social mais justa e coerente com as necessidades e aspirações de to-dos os cidadãos.

 

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