Percepção do ambiente urbano: centro histórico de Cuiabá/MT*

 

 

Edinaldo de Castro e Silva

Germano Guarim Neto1

Gysele Nunes da Cunha

Luciane Durante2,

Maria de Fátima Ribeiro Barbosa2

Miramy Macedo1

 


Introdução

 

A cidade de Cuiabá, a partir dos anos setenta, vem passando por profundas mudanças em sua estrutura. Ocupando posição estratégica, serve até hoje, de ponto de apoio para as atividades de "desbravamento" da Amazônia. Inicialmente de forma precária e nos dias atuais, com ares de Grande Centro, coberta por tecnologias, que pouco ou nada deixam a desejar, se comparadas com as regiões mais desenvolvidas do país.

A "corrida para o norte" estimulada pela política do governo, fez com que Cuiabá servisse de passagem para um grande número de migrantes, que muitas vezes, em virtude das dificuldades que encontravam em seus locais de destino, para cá voltavam e instalavam-se. Foi assim, absorvendo pessoas que vieram para trabalhar e fazer a vida, que a cidade teve sua população quintuplicada em um período de vinte anos (IBGE, 1991) .

O impacto dessa invasão, tão bem recebida pelos cuiabanos, caracterizados como "hospitaleiros", refletiu-se em grandes transfor-mações: aberturas de novas ruas, aparecimento de novos bairros, criação de novos serviços para a população, e outras tantas necessárias para "acomodar" os cuiabanos de coração, também conhecidos por "pau rodado". Todo esse progresso, sinônimo de crescimento, trouxe também destruição: construções centenárias deram lugar a novos edifícios, e surgiu a cultura da aversão ao antigo, que passou a significar atraso e incapacidade para o progresso (SILVA,1987). Assim, não só o meio físico da cidade mudou, mas também seu povo. Seu povo, de falar e costumes característicos, hoje se mistura a outras culturas, que nada ou pouco conhecem da sua história, de seus casarões e de suas paredes de adobe.

Após ter passado por tantas transformações, resta ainda uma "amostra" da Cuiabá antiga com ruas estreitas e fachadas coloniais: o Centro Histórico, tombado pelo Patrimônio Federal (ANTUNES, 1998). Espaço de características singulares, abriga as construções que representam a história de Cuiabá e consiste no núcleo inicial da cidade. É nesse espaço, onde tudo o que é de mais antigo se situa, que as lojas vendem os últimos lançamentos da moda, colocando o homem que ali passa (cuiabano ou não), frente a uma oposição explícita entre o velho e o novo. Terão essas pessoas, conhecimento do valor histórico desse lugar? Essa é uma das questões que o trabalho propõe-se a explorar e, as respostas dele advindas, são instrumentos de grande valia, uma vez que refletem a opinião dos que o usam e habitam e, podem servir como subsídios para tomada de decisões relativas à área. Pretende-se contribuir para o processo de preservação do Centro Histórico, e porque não dizer, para o processo de revitalização; "uma busca pela reidentificação do passado no presente, ressuscitando a tradição por meio da memória coletiva, mas sem inibir a modernidade" (Ferrara apud Del Rio & Oliveira, 1996).

Considerações sobre Conservação de Conjuntos Arquite-tônicos

Justifica-se a conservação de um sítio urbano quando este constitui-se em criação notável e representativa da vida e da organização social de um povo, em determinada fase de sua evolução (Andrade, 1987).

A conservação de um sítio urbano é complexa: basta que as condições econômicas que o mantém entrem em decadência, para que se desencadeie, também, o processo de decadência do sítio, através do empobrecimento de sua comunidade. Além desses fatores econômicos, há os fatores naturais de deterioração, oriundos da fragilidade intrínseca das construções (no caso de Cuiabá, constituídas por materiais fungíveis e madeira), e os fatores humanos, que põem igualmente em risco a sua conservação. Se por um lado, a deserção da população, leva ao abandono e a ruína, por outro, a sua permanência, leva à aspirações naturais de progressos: acesso de veículos, iluminação, pavimentação, etc., que muitas vezes são atendidas pelos administradores, mesmo sendo incompatíveis com a preservação

Em Cuiabá, tem-se um sítio urbano tombado a nível federal e uma região de entorno desse sítio, tombado a nível estadual (Silva,1987), com população em atividade. O planejamento da conservação do mesmo deve ser cauteloso e muito bem adequado, uma vez que essa população, como já dito, aspira por conforto e progresso, e não seria possível impor-lhes condições de vida do passado. Qualquer plano de conservação, por sua vez, só é bem aceito e consequentemente aplicado, se a população usuária for consciente de sua importância, e apresentar-se disposta a colaborar. É necessário que a mesma tenha valores e atitudes, comprometidos com a consciência coletiva de preservação.

Perante essa realidade, busca-se conhecer as relações do homem com o ambiente tombado, conhecer seus valores com relação à preservação. Esses valores refletem-se em atitudes, resultados da interação homem e meio ambiente (Tuan, 1980). Essas atitudes por sua vez, são responsáveis pelo melhor ou pior estado de conservação da área.

Procedimento Metodológico

Realizou-se a pesquisa na Rua Pedro Celestino desde a Rua Mato Grosso até o entroncamento com a Rua Ricardo Franco. Seguiu-se pesquisando a Rua Ricardo Franco até seu cruzamento com a Rua Cândido Mariano. Aplicou-se dois questionários, um para trabalhadores e comerciantes e outro, para transeuntes, de acordo com as diretrizes para elaboração de questionários proposta por Whyte (1978).

Para definição da amostra, executou-se levantamento prévio dos imóveis, em termos de quantidade e tipo de ocupação (residencial, comercial ou prestação de serviço, institucional e desocupado), que permitiu o reconhecimento do local e sua divisão em três trechos. O primeiro (Trecho 1), com início à rua Mato Grosso até a Travessa dos Bandeirantes, é um trecho com muitas residências e escritórios de prestação de serviços. A partir da Travessa dos Bandeirantes até rua Campo Grande (Trecho 2), as residências diminuem, surgem as casas de prostituição e as atividades que se mantém em sua função (salões de beleza, cafés, etc.). Próximo à rua Campo Grande existem atividades de comércio, como joalherias e aviamentos. Da rua Campo Grande até a Rua Cândido Mariano (Trecho 3), a ocupação é estritamente comercial, sem acesso de veículos (calçadão). .Para cada trecho obteve-se o número de imóveis da amostra, conforme proposto por Ornstein (1992) e BerquÓ et al. (1981), que constam do Quadro 1.

Quadro 1: Número de imóveis e transeuntes da amostra

Ocupação

Trecho 1

Trecho 2

Trecho 3

Total

Residencial

5

2

0

7

Comercial

4

8

11

23

Transeuntes

9

10

11

30

Com relação à distribuição das amostras, optou-se por não definir previamente os imóveis a serem pesquisados, pois havia a possibilidade do proprietário não encontrar-se no momento ou não estar disponível para responder ao questionário. Assim, definiu-se no local os imóveis, considerando-se o acesso e a disponibilidade do entrevistado. Para definição do número de transeuntes, adotou-se o mesmo número de imóveis, que foram abordados ao longo de todo o trecho.

Para a avaliação do estado de conservação das fachadas, atribuiu-se a escala constante do Quadro 2, considerando-se a opinião de três julgadores, por meio da técnica "walkthrough", proposta por Ornstein et al. (1995). Foi avaliado o número total de imóveis.

Quadro 2: Estado de Conservação das Fachadas

Descrição da Fachada

Conservada

- Ótimo estado de conservação: perfeito estado, totalmente restaurada.

- Bom estado de conservação: pequenas seqüelas, como pequenos descolamentos de pintura e reboco.

- Ruim estado de conservação: com grandes seqüelas, como grandes descolamentos de pintura, rachaduras e pequena decomposição do reboco.

- Em ruínas: grandes decomposições de reboco e paredes. Risco de desabamento.

Descaracterizada

Em reformas

Construção Nova

 

Resultados e Discussão

Natureza da ocupação

 

O gráfico da figura 1 refere-se à natureza da ocupação nos três trechos.

Figura 1: Natureza da Ocupação nos Trechos

 

Observa-se que o número de imóveis desocupados é maior no trecho 1, chegando a ser maior que o número de imóveis ocupados por residências. Neste trecho, está ocorrendo um fenômeno de evasão dos moradores, movidos por diversos fatores: dificuldade de manutenção do imóvel, falta de espaços para lazer e garagens, problemas de segurança e a necessidade de melhorias de conforto que não são possíveis de serem realizadas devido ao tombamento. Esse processo de evasão, conforme ANDRADE (1987) caracteriza o processo de decadência do sítio: com a evasão dos moradores, o número de imóveis desocupados tende a crescer e a piorar o estado de conservação. No caso específico do trecho 1, os imóveis podem passar a ser ocupados por "sem tetos", vândalos e marginais, ou por mais casas de prostituição e cassinos, como uma expansão do trecho 2. Os prestadores de serviços sentir-se-iam encurralados e tenderiam também a evadir. Desabitado ou ocupado de maneira inadequada, o sítio entraria em ruínas. Esse processo, encontra-se em fase inicial e é possível de ser revertido. Uma solução seria criar um programa de revitalização econômica para os trechos 1 e 2, dando incentivos aos comerciantes e moradores para ali instalarem-se e restaurarem os imóveis, e as atividades ilegais deveriam ser impedidas no local.

Identificação do entrevistado e conhecimento histórico

Visa identificar a naturalidade do entrevistado e o conhecimento do valor histórico do local. Essas variáveis devem ser analisadas sob o aspecto da naturalidade. Sendo o entrevistado, de origem cuiabana, é natural que conheça a história da cidade e demonstre sentimentos de caráter positivo em relação ao lugar, como afeição, simpatia, etc. Sendo de outra naturalidade, o entrevistado pode demonstrar sentimentos semelhantes ao do povo cuiabano, decorrentes de sua completa adaptação à cidade e incorporação dos valores e história de seu povo, gerada pela convivência com o mesmo. Por outro lado, pode demonstrar sentimentos de caráter negativo, como concordância pela destruição e não necessidade de preservação do local, que decorrem da falta de vínculos da pessoa com o lugar.

Observou-se que 53,33% dos indivíduos pesquisados são cuiabanos e 46,67% são de outras origens. Dos cuiabanos, apenas 68,75% afirmaram ter conhecimento do tombamento contra 85,71% dos indivíduos de outras origens. Essa ocorrência foi maior no trecho 3, o que pode ser relacionado com o tempo de ocupação dos imóveis pelos comerciantes, pois a maioria deles (63,63%) está no imóvel há menos de três anos, sendo 45,45% há menos de um ano. O pouco tempo no local pode ser um dos fatores que justificam essa desinformação, como também a alienação e de vínculos com o lugar. Curiosamente, 81,82% desses comerciantes são cuiabanos. Nos demais trechos onde os moradores e comerciantes são mais antigos, todos têm conhecimento do tombamento.

Com relação aos transeuntes, no trecho 1, todos conheciam o tombamento. No trecho 2, 50% dos cuiabanos e 25% dos indivíduos de fora desconheciam o fato e no trecho 3, 60% dos cuiabanos não conheciam o tombamento e todas as pessoas de outras origens o sabiam.

Imagem do local

Visa identificar qual a imagem do local, com base na percepção visual, na percepção dos sentidos e na adaptação das pessoas à ele. Envolve os sentimentos de beleza, odor, sensação de segurança e de tranqüilidade, decorrentes do indivíduo sentir-se ou não adaptado ao local.

A imagem do local é predominantemente negativa: 68,33% dos indivíduos pesquisados percebem os aspectos negativos citados ( feio, sujo, desagradável e perigoso). Comparando-se os trechos, observa-se que o trecho 2 é o único em que a percepção do item desagradável superou a do agradável (55%), e onde a percepção de feio e perigoso obtém os maiores índices (ambos 80%). A percepção do sujo foi na ordem de 65% nos três trechos. A percepção elevada do aspecto perigoso atribuída ao trecho 1, pode ser relacionada ao grande número de imóveis desocupados, que acaba resultando em pouco movimento aparente, sugerindo falta de proteção às pessoas. Cabe ressaltar que no período de realização da pesquisa, o trecho 3 recebia reforço policial, por ser o período próximo às festas natalinas, e a maioria das pessoas classificou o local como perigosos, o que pode ser atribuído à própria presença do policiamento. É interessante também os resultados da percepção dos usuários dos trechos 1 e 3, que apesar de acharem o local feio, sujo e perigoso o acham agradável. Parece inicialmente haver uma contradição, que pode ter sido causada pelo não entendimento do termo aplicado. Caberia aqui uma conferência, com repetição da pergunta em questão, utilizando-se outro termo.

Satisfação com o lugar

O nível de satisfação elevado é responsável por atitudes de caráter positivo em relação ao lugar (HEIMSTRA & McFARLING, 1978), uma vez que a satisfação envolve sentimentos de bem-estar no local, segurança, afeto e também de preservação. Com relação a essa variável, a maioria dos entrevistados gosta do local (90%), conhece seus vizinhos (76,67%), está satisfeito com a casa (70%) e com o bairro (73,33%).

Os comerciantes são os menos satisfeitos com os imóveis, mas estão satisfeitos com o bairro, porque vendem bem seus produtos e têm freguesia: a valorização econômica leva à satisfação do comerciante com o local. Dentre os fatores citados como motivo de insatisfação estão a falta de autonomia para executar reformas nos imóveis, a existência de casas de prostituição, a falta de segurança, pouca ventilação, iluminação e espaço para garagens. Segundo ANTUNES (1998), os proprietários sentem-se invadidos no seu direito de propriedade, quando são obrigados a consultarem o IBPC (Instituto Brasileiro de Patrimônio Cultural), para execução de qualquer alteração no imóvel.

O aspecto de relacionamento social com os vizinhos é maior no trecho 1, 100% dos pesquisados conhecem a vizinhança. No trecho 3, 90,91% e no trecho 2, 50%. Observa-se, então, que no trecho mais residencial, são maiores as relações com os vizinhos, além do que, os moradores são mais antigos no local. O baixo percentual no trecho 2, relaciona-se com a inexistência de vínculos entre as pessoas e dessas com o local.

Perguntados se gostavam do lugar, no trecho 1, 100% dos entrevistados gostam, no trecho 3, 90,91% e no trecho 2, 80%.

Estado de conservação das fachadas

Analisando-se o trecho como um todo, pelo gráfico da figura 2, observa-se a predominância de imóveis descaracterizados de seus aspectos arquitetônicos originais (43,06%), e a existência de um grande número de novas construções (16,46%). A ocorrência dessas novas construções pode ser atribuída ao longo tempo decorrido entre a abertura do processo de tombamento e sua efetivação (BRANDÃO, 1993), período no qual os proprietários que eram contrários ao tombamento, executaram as demolições. Muitas delas datam do início da década de 80, data das primeiras de tombamento. Observa-se ainda que apenas 37,96% dos imóveis se mantém conservados e 2,53% em reformas.

 

 

Figura 2: Estado de Conservação das Fachadas nos Trechos

A figura 2 refere-se ao estado de conservação das fachadas dos trechos 1, 2 e 3, respectivamente.

Dentre os trechos, observa-se que no trecho 2, existe o maior número de imóveis conservados e em ruínas. As atividades ali desenvolvidas (jogo, casas de prostituição, etc.), desenvolvem-se nesses espaços em ruínas, pois não requerem melhores padrões de conforto, higiene e segurança. Os usuários desses espaços, não os mantém conservados, pois não possuem vínculos com o local. Assim, não há intervenção nos imóveis, o que não os descaracteriza, mas também não há restauração, o que não os preserva.

No trecho 3, a maioria dos imóveis conservados, apresenta-se em ótimo e bom estado, não existindo imóveis em ruínas. Aqui, não foi considerada a descaracterização oriunda das esquadrias metálicas, uma vez que a maioria dos imóveis as possuem, pela necessidade de segurança. Neste trecho, há algumas fachadas que apesar de restauradas recentemente, foram classificadas como descaracterizadas, pois os elementos arquitetônicos utilizados não correspondem ao estilo arquitetônico original. Surge, então, a falta de entrosamento entre proprietários e IBPC, como órgão orientador e fiscalizador da ação dos proprietários: algumas reformas parecem ter sido feitas sem orientação: desenhos e formas e até cores, que não retratam o estilo original do sítio.

Conclusão

A percepção dos indivíduos de naturalidade cuiabana não difere da dos indivíduos de outras origens: ambos sentem a falta de preservação do local. Os indivíduos de fora percebem a falta de conservação, pois conhecem outros sítios (Pelourinho, Ouro Preto, etc.) e comparam com o de Cuiabá. Os cuiabanos, por sua vez, comparam o estado atual de conservação com o estado de alguns anos atrás, e constatam a falta de preservação.

Ambos derrubariam os imóveis do entorno, para dar lugar a novas construções, porque sentem a invasão da marginalidade cada vez mais crescente e vêem a derrubada como solução para os problemas locais.

A descaracterização do sítio é marcante, realçando a invasão do novo, do moderno, do tecnológico e do capitalismo. Percebe-se a modernidade influenciando o pensamento e ações das pessoas: a força do progresso e do crescimento urbano acelerado, a falta de cultura, a ganância, o capitalismo, o descrédito das instituições públicas e o descaso governamental levam a não preservação e a perda de identidade cultural. A invasão da modernidade expulsa os moradores, que se mudam para outros bairros que atendam as novas necessidades impostas pelas inovações tecnológicas.

Preservar não é apenas manter a integridade física do sítio, mas também determinar a ocupação que seja mais adequada à sua preservação. Nesse sentido, pode-se atribuir à ocupação do trecho 2, a classificação de ruínas ocupacionais: a atividade levando à decadência do sítio.

Algumas medidas são propostas:

- incentivar o entrosamento entre moradores e comerciantes e o IBPC;

- cumprimento do uso adequado do imóvel tombado por alguma função social: casas de prostituição e cassinos dando lugar à creches, escolas, centros de arte, etc.;

- restauração dos imóveis mediante orientação específica quanto ao estilo arquitetônico a ser seguido;

- criatividade e interesse do poder público ao incentivar a restauração com pesquisas e avaliações das necessidades locais existentes;

- resgate e fortalecimento da identidade cultural através da educação e conscientização das pessoas: inserção de matéria sobre a história de Cuiabá, no currículo das escolas e excursão dos alunos ao local para que se sintam e se vejam como sujeitos de sua história;

- criação de uma associação comunitária forte e participativa, que represente os interesses dos usuários do centro Histórico.

 

RESUMO

Este trabalho tem por objetivo estudar a percepção dos usuários do Centro Histórico de Cuiabá, seus valores e suas atitudes com relação ao ambiente tombado, de acordo com suas origens. Paralelamente, faz um levantamento do atual estado de conservação das fachadas dos imóveis, e dos 4principais problemas que afetam a população local. Para a avaliação da percepção ambiental, empregou-se metodologia específica, com coleta de dados através de questionários aplicados aos usuários e, para a avaliação do estado de conservação das fachadas, empregou-se o método de observações. Os resultados obtidos relacionam a importância que o usuário atribui à preservação do conjunto urbano, às atividades ali desenvolvidas e o significado do local com o estado de conservação das fachadas.

Palavras-chaves: Percepção Ambiental, Patrimônio Histórico, Avaliação Pós-Ocupação.

 

ABSTRACT

This work has the purpose of studying the perception of the people that visit the Historical Center of Cuiabá, their values and attitudes in relation to the Historical Center environment according to their backgrounds. At the same time, this work makes a survey of the current condition of conservation of the front of the buildings, and of the main problems that affect the local population. To evaluate the environmental perception, specific methodology was used, with collection data through questionnaires applied for the users, and for the conservation of the front of the buildings, the observation method was used. The results obtained relate to the importance that the user gives to the preservation of the urban group, to the activities developed and the meaning of the place with the condition of conservation of the front of the buildings.

Key Words: Environmental Behavior, Historical patrimony, Post-Occupation Evaluation.

 

 

Referências Bibliográficas

ANDRADE, R. M. F. Rodrigo e o SPHAN. In: Coletânea de textos sobre o Patrimônio Cultural de 1898-1969, Rio de Janeiro: MEC, 1987, p. 81-89.

ANTUNES, P. Casa Velha, não! Patrimônio Histórico. In: Revista Vôte!, Tempo Presente. Cuiabá,/MT, n.º 1- janeiro de 1998.

BERQUÓ, E. S.; Souza, J. M. P. de; Gotlieb, S. L. D. Bioestatística. EPU, São Paulo, 1981

BRANDÃO, Ludmila de L. O Processo de Tombamento Histórico do Centro Histórico de Cuiabá: Movimento Citadino e Educação. Dissertação de mestrado. UFMT. 1993.

DEL RIO, V. ; OLIVEIRA, L. Percepção Ambiental: A Experiência Brasileira. Studio Nobel, São Paulo, 1996.

HEIMSTRA, N. W., McFARLING, L. H. Psicologia Ambiental. São Paulo, EPU, 1978.

IBGE - BOLETIM GEOGRÁFICO. Anuário Estatístico. 1991.

ORNSTEIN, S. Avaliação Pós-Ocupação de Ambientes Construídos. Studio Nobel, São Paulo, 1992.

ORNSTEIN, S.; BRUNA, G.; ROMERO, M. Ambiente Construído e Comportamento. Studio Nobel, São Paulo, FAU/USP:FUPAM, 1995.

SILVA, Luísa H. L. Preservação doPatrimônio Histórico Arquitetônico e Urbanístico Versus Desenvolvimento Urbano. Trabalho de Conclusão de Curso de Engenharia Civil, 1992.

TUAN, Y. Topofilia – Um Estudo da Percepção, Atitudes e valores do Meio Ambiente. Difel, São Paulo, 1980.

WHYTE, A. La perception de l’environnement lignes directrices méthodologiques pour les études sur le terrain. UNESCO - Notes Téchniques du MAB-5. Paris, 1978.