RESUMOS


 

APRESENTAÇÃO

Edir Pina de Barros

RESUMO: Este número temático foi organizado em três partes. Na Parte I, Educação Escolar Indígena, estão reunidos cinco artigos de caráter mais geral sobre a questão. Na Parte II, Educação e Educação Escolar Indígena em Mato Grosso, tem-se seis textos que refletem experiências ocorridas no interior do estado. Na Parte III, Relatos de Experiências, dos três textos, dois são produzidos por agentes da ONG "Operação Amazônia Nativa". Os trabalhos aqui apresentados representam antigas e novas vozes que entram no cenário, e praticamente todos foram apresentados nos Seminários de Educação, entre os anos de 1994 e 1996. Buscou-se ampliar os debates para além dos limites do Programa de Pós-Graduação em Educação, dando a esse grupo um caráter plural, pluriétnico, como é a realidade em que vivemos.

Palavras chaves: Educação escolar-Índios-Mato Grosso-Brasil; Educação Indígena

ABSTRACT: This thematic issue has been organized into three sections. In Section I, Indigenous School Education, there are five papers on a general featuring about that question. Section II, Education and Indigenous School Education in Mato Grosso, is composed by six texts that reflect upon experiences occurred in that State. Among the three texts presented in Section III, Experience Reports, two have been produced by agents from the NGO "Operação Amazônia Nativa". The papers here collected represent ancient and new voices coming into scene, and practically all of them were shown at Education Seminars from 1994 to 1996. We have tried to raise the discussions far beyond the Post-Graduation Program in Education (UFMT) boundaries by giving a plural and pluri-ethnical characteristic to that group, like the reality we live in.

Keywords: School education-Indians-Mato Grosso-Brazil; Indigenous Education

 

A EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA NA CONJUNTURA ATUAL

Edir Pina de Barros

RESUMO: O ideal de dissolução da diferença, articulado ao da construção de estados-nações culturalmente homogêneos e de identidades nacionais, nesta virada de século, sofre o impacto do novo ciclo de mundialização em curso. Esse novo ciclo – que absorve as diferenças ao invés de buscar erradicá-las – vem resultando em novas subordinações e articulações entre povos, estados-nações, localidades e etnias, recolocando a questão da tradição na pauta atual das discussões. É no âmbito da tensa interação dialética entre o local, o regional e o global que deve-se situar a análise das chamadas questões indígenas, dentre elas a da educação escolar diferenciada, solidária a da tradição, fonte de coesão e de identidades particulares. Esta comunicação desenvolve idéias nessa direção e reafirma a necessidade de um diálogo mais intenso entre o campo da antropologia e o da educação.

 

O DISCURSO SOBRE A EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA: FALA DOS ÍNDIOS X FALA DO ESTADO

Sirlei Aparecida Silveira

RESUMO: A Constituição Brasileira de 1988, no capítulo 210, assegurou aos povos indígenas o direito a escolarização formal, corroborado na Portaria Interministerial nº. 559, de 16 de abril de 1991. A partir de então intensificam-se as discussões sobre as condições e o modelo educacional destinado a esse segmento social, portador de especificidades muito particulares em relação ao conjunto da sociedade nacional. Esta comunicação se volta para a análise das falas a respeito dessa questão, estabelecendo o contraponto entre a educação escolar na perspectiva do índio e do Estado, através de seus órgãos constituídos: Ministério, Secretarias Estaduais e Municipais de Educação.

O SIGNIFICADO DA ESCOLA NAS SOCIEDADES INDÍGENAS

Ivo Schroeder

RESUMO: O relato de algumas experiências e a trajetória recente da educação para indígenas apontam diferentes etapas de compreensão do significado da escola. Da crítica da escola tradicional que fôra simplesmente transplantada para as aldeias, implementaram-se modelos mais próximos da realidade sócio-cultural de cada povo., privilegiando a língua materna e adotando currículos e calendários específicos. Posteriormente, a crescente capacitação e participação de professores indígenas resultaram na organização e busca de maior autonomia. Instituição da sociedade majoritária, imposta ou importada, a escola agora adquire novos significados e seu papel é limitado ou ampliado, na medida em que interage com a realidade sócio-cultural de cada povo. Permanece, contudo, o desafio de colocar a escola a serviço de seu próprio projeto histórico; porque a escola se pretende o locus do saber, subvertendo e desarticulando a sabedoria milenar. Talvez seja esta a razão do fracasso de outras tantas escolas, sinal de resistência velada diante de uma nova ordem de coisas. Este texto se volta para o significado da escola nas sociedades indígenas.

 

ESCOLAS INDÍGENAS E TEXTOS DIDÁTICOS

Arlindo Gilberto de Oliveira Leite

RESUMO: A tradicional escola "indígena" integracionista usou sistematicamente os materiais didáticos do mundo branco, coerente com seu propósito de fazer desaparecer as diversas etnias em seu interior. Nestas últimas décadas, tomando consciência da alienação que significa o estudo escolar com este tipo de material, vários povos indígenas vem relativizando-o ou rejeitando-o como instrumento de trabalho, colocando como um de seus objetivos a produção de seus próprios materiais escolares. Este texto volta-se para uma reflexão sobre esse movimento, tendo por base textos que se encontram em seis livros didáticos de povos diferentes, elaborados no Amazonas, Acre e Mato Grosso. Para proceder ao seu exame, classifiquei-os em cinco itens: território, espaço cultural, festa, língua/identidade, alimentação. Interessa perceber como textos redigidos pelos professores indígenas - contrariamente àqueles provindos do mundo branco - expressam os universos indígenas e podem servir à reconstrução das identidades étnicas indígenas frente ao mundo não-indígena.

 

AUTONOMIA E AUTODETERMINAÇÃO: O NOVO DISCURSO DA DIFERENÇA

Paulo Augusto Mário Isaac

RESUMO: Qual é a diferença conceitual existente nas abordagens de autonomia e autodeterminação das agências indigenistas e de povos indígenas, considerando que cada um se situa em campos sociais diametralmente opostos? O objetivo deste trabalho é fazer uma breve reflexão sobre as concepções que norteiam as ações desses agentes, de modo a compreender quais são suas lógicas e suas intenções.

 

ESCOLAS INDÍGENAS EM MATO GROSSO: COMO SÃO? PARA ONDE VÃO?

Darci Secchi

RESUMO: O artigo desenha um quadro da educação escolar indígena em Mato Grosso, em perspectiva histórica. Apresenta dados atuais sobre as agências envolvidas, professores indígenas e sua formação através do Projeto Tucum e sobre o Conselho Estadual de Educação Escolar Indígena desse estado, criado em meados de 90.

 

QUADRO ATUAL DA EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA EM MATO GROSSO

Terezinha Furtado Mendonça & Laurenice L. de Souza

RESUMO: Este artigo tem por objetivo traçar um breve histórico das ações voltadas para a educação escolar indígena na Secretária de Estado de Educação de Mato Grosso, inicialmente através de sua participação no Núcleo de Educação Indígena de Mato Grosso, juntamente com outras instituições e organizações não-governamentais. Em um segundo momento, apresenta-se dados sobre a situação das escolas e dos professores indígenas.

 

PROFESSORES INDÍGENAS DE MATO GROSSO E O ENSINO DE PORTUGUÊS

Maria Inês Pagliarini Cox

RESUMO: Este trabalho, de natureza exploratória, tem por objetivo delinear a situação do ensino da língua portuguesa em escolas de aldeias de Mato grosso, a partir de depoimentos de vinte e quatro professores índios. Os depoimentos, alguns escritos e outros orais, foram colhidos durante o curso de extensão "Educação Escolar Indígena", promovido pelos Departamentos de Antropologia e sociologia e Ciências Políticas da Universidade Federal de Mato Grosso, no período de 19 1 25 de novembro de 1994. Além de traçar um perfil dos professores em termos de formação e experiência, procura responder as seguintes questões: para que ensinam, o que ensinam e como ensinam.

 

ESCOLAS E VIVÊNCIAS: UM MEMORIAL PARESÍ

Hellen Cristina de Souza e Daniel Mantenho Cabixi

RESUMO: A história da resistência dos povos indígenas nos 500 anos de colonização da América revela que os povos dominados têm se manifestado como populações que resistem e agem politicamente como sujeito coletivo ressignificando as situações e instituições do contato. Sob a perspectiva de reconhecimento dos direitos específicos das comunidades indígenas, para este trabalho fizemos uma tentativa de reconstrução histórica da educação escolar entre os Paresí buscando relacionar as memórias e as reflexões dos estudantes Paresí com outros dados de fontes documentais e bibliográficas.

 

NOVA TERRA E NOVOS CÉUS: INTERNATO DE SANGRADOURO NAS DÉCADAS DE 70 E 80

Teodorico Fernandes da Silva

RESUMO: Logo após a chegada dos Xavante a Sangradouro, em fins de 1956, os Salesianos os submeteram a uma experiência educativa de atendimento escolar na modalidade de internato. A década de setenta, marcada por profundas mudanças conjunturais, coloca em questão esse sistema educativo, exigindo, por parte dessa agência missionária, uma revisão de tais práticas. Este texto volta-se para essa questão e procura recuperar parte da história da educação escolar desses Xavante nas décadas de 70 e 80, a partir, sobretudo, de documentos escritos inéditos levantados nos arquivos dessa Congregação.

 

MUSEU-OFICINA KUIKARE: UMA "ESCOLA" NATIVA BAKAIRI (KARIB)

Darlene Yaminalo Taukane

RESUMO: Na Terra Indígena Bakairí (MT), mais especificamente na aldeia Pakuera, situa-se o Museu-Oficina Kuikare, um espaço Bakairí, criado pelos Bakairí e para os Bakairí, enquanto uma "escola nativa" através da qual se busca a transmissão de conhecimentos tradicionais às novas gerações, visando reforçar os seus valores e a sua auto-estima na interação com a sociedade nacional. Sua história e seu sentido são tratados aqui.

 

A ESCOLA INDÍGENA NO CONTEXTO CULTURAL PARESÍ

Edson Bosco da Silva e Nelson Secchi

RESUMO: Este relato de experiência volta-se para as atividades desenvolvidas enquanto membros da OPAN – Operação Amazônia Nativa (antiga Operação Anchieta), a partir de agosto de 1993, junto aos professores indígenas das escolas Paresí e Nambikwára, nos municípios de Campo Novo dos Parecis e Tangará da Serra, em sistema de cooperação com as Secretarias Municipais de Educação desses municípios.

 

ALÉM DAS LETRAS: EXPERIÊNCIA DESENVOLVIDA PELA OPAN / PROJETO KULINA - MÉDIO JURUÁ

Ângela Kurovski

RESUMO: Acompanhando professores Kulina, no período de 1990 a 1993, enquanto membros da Operação Amazônia Nativa (antiga Operação Anchieta), observamos que a noite, após o término de atividades rotineiras, aqueles Kulina que haviam se apropriado dos códigos escritos auxiliavam os outros a desenhar letras e números. Esse método se mostrava mais dinâmico que o da própria escola formal. No entanto, carecia de subsídios para a renovação dos conhecimentos. Em 1991, após avaliações, a entidade optou por uma metodologia de formação de professores que possibilitasse subsidiar o processo informal de ensino que ocorria nas comunidades Kulina. É essa experiência que aqui será apresentada.

 

NÚCLEO DE DOCUMENTAÇÃO BÓE-BORORO: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Paulo Augusto Mário Isaac

RESUMO: Este trabalho é o relato de uma experiência realizada entre 1990 e 1995, na cidade de Rondonópolis, Mato Grosso, em que nos lançamos num Projeto didático-pedagógico contra o preconceito e a discriminação existente em meio à sociedade envolvente contra os povos indígenas, em especial, os Bororo.