Alguns relatos sobre redes
1. ALBERTO TEIXEIRA DA SILVA - alberts@amazon.com.br
Sociólogo (UFPA), Mestre em planejamento do desenvolvimento (NAEA/UFPA), Doutor em ciências Sociais (UNICAMP). Professor adjunto da Universidade Federal do Pará.

O fenômeno das redes de educação ambiental no Brasil: o caso da Amazônia

As sociedades contemporâneas estão sendo desafiadas pela aceleração dos processos de globalização, nas suas múltiplas formas, que estabelecem fluxos contínuos de idéias, informações, investimentos e poder. As configurações sociais e políticas tendem a se intensificar e as articulações em torno do poder do conhecimento e estratégias parecem cada vez mais vitais para a gestão da sociedade do futuro. A forma de expressão da dinâmica política do capitalismo global tem se dado através da constituição de redes, correspondendo aos interesses dos grupos sociais numa determinada formação histórica. Com o processo de globalização da sociedade civil, amplia-se consideravelmente a esfera pública, no sentido de modelagem de novos espaços de democratização dos processos de decisão e gestão.

Uma análise da atuação dos diversos segmentos da sociedade (governos, setores empresariais e sociedade civil organizada) permite aprofundar um dos aspectos mais relevantes na dinâmica da esfera pública e, por conseguinte, da democratização da gestão ambiental no Brasil: a organização e mobilização de redes de educação ambiental, como movimentos dinâmicos que buscam a ecocidadania local e planetária, na perspectiva de construir sociedades democráticas, eqüitativas e sustentáveis. Este trabalho aborda, de forma preliminar, o esforço de formação de redes de educação ambiental no Brasil, particularmente na Amazônia, considerando o potencial estratégico de seus recursos naturais e posição singular na agenda ambiental nacional, regional e transnacional. Nas últimas décadas, notadamente a partir da Conferência de Estocolmo (1972), com a problematização e institucionalização da questão ambiental e, fundamentalmente, com a intensificação dos processos globais multidimensionais, na moldura da crescente interdependência econômica, política, social e ecológica, as dinâmicas coletivas - quer países, empresas ou grupos sociais, tem se desenvolvimento no contexto das redes (network), conformando o design da sociedade contemporânea: a sociedade em rede.

A emergência as redes voltadas para o enfrentamento da crise ambiental, tem se constituído uma estratégia fundamental e decisiva para o avanço da agenda das políticas públicas na contemporaneidade. No Brasil, as redes de educação ambiental emergem na década de 1990, na esteira das mudanças derivadas do conceito de desenvolvimento sustentável que apresenta o imperativo ético de responsabilidade com as futuras gerações e da oxigenação da política ambiental promovida pela Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, mais popularmente conhecida como ECO-92. Os propósitos consubstanciados na Agenda 21 e o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global também fomentam iniciativas no âmbito das novas conecções planetárias. A Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA) foi uma das primeiras redes no cenário brasileiro, atuando na ótica da horizontalidade, disseminação e compartilhamento de experiências e iniciativas em prol do fortalecimento da educação ambiental nos diversos níveis e esferas da sociedade. Atualmente existem 42 redes de educação ambiental no Brasil.

A Amazônia, como espaço moldado por forças e movimentos socioambientais locais e transnacionais, tem se projetado como palco de conexões - redes policêntricas de educação ambiental, na busca de intervir no processo de desenvolvimento da região e direcioná-lo em prol de um modelo de sociedade que internalize as dimensões da sustentabilidade. Com efeito, desde a década de 1980, com a disseminação de uma consciência socioambiental gradual e progressiva, permeando mentalidades, coletividades e estruturas, emerge uma vitalidade de grupos e organizações inicialmente ambientalistas, que paulatinamente vão articulando um movimento mais plural comprometidos com o ideário do desenvolvimento sustentável.

A questão ambiental na Amazônia tem produzido diversas iniciativas, nos diversos segmentos da sociedade, mobilizando indivíduos, grupos e instituições na complexa teia da democratização do espaço público, na tentativa de mitigar o processo de devastação em curso, considerando o modelo de ocupação predatória ainda prevalecente na região. A cultura de rede tem potencializado movimentos e propostas pedagógicas, socializando novos conhecimentos e práticas, na perspectiva de sustentabilidade de seus recursos naturais e formação de gestores comprometidos com as futuras gerações. Dentre uma série de iniciativas formais e não-formais, quatro casos ilustram as potencialidades e o desenvolvimento das redes de educação ambiental na Amazônia: A Rede de Educação Ambiental do Estado do Pará, Rede Acreana de Educação Ambiental, Rede Mato-grossense de Educação Ambiental e a Rede Amazônica de Educação Ambiental.

A Rede de Educação Ambiental do Estado do Pará está sendo formada a partir da necessidade de conhecer, desenvolver e promover a integração dos Programas e Projetos de Educação na área de abrangência do Estado. As atividades dos municípios estão sendo devidamente cadastradas através da Secretaria estadual que coordena a rede. O formato dessa rede tenta incorporar iniciativas de diferentes segmentos da esfera pública: instituições de ensino e pesquisa, Ong’s, organizações da sociedade civil em geral, e as representativas do poder público e do setor privado que tenham ações voltadas à educação ambiental.

A Rede Acreana de Educação Ambiental (RAEA) é um movimento de articulação entre educadores (as) ligados à educação ambiental no Estado do Acre. É constituída por elos (pessoas e/ou instituições) organizados localmente, que atuam virtualmente e participam presencialmente das assembléias, encontros e discussões da RAEA, assim como de sua gestão. A Rede Acreana não possui formalização jurídica e sua Secretaria Executiva é responsável pelo planejamento e execução das ações pretendidas e, sobretudo pela intermediação entre os participantes.
A Rede Mato-grossense de Educação Ambiental (REMTEA) é uma organização que vem sendo desenhada desde inicio de 1996 quando a AME MATO GROSSO - Associação Mato-grossense de Ecologia, o BIOCONEXÃO - Instituto Ecologista de Desenvolvimento, e o ECOPANTANAL - Instituto de Ecologia e Populações Tradicionais do Pantanal, passam a trabalhar em parceria com o Instituto ECOAR para a Cidadania, de São Paulo, também membro da Facilitação da REBEA – Rede Brasileira de Educação Ambiental. A REMTEA da mesma forma que a REBEA adotou como carta de princípios o "Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global" e como formato organizacional uma estrutura horizontal que permita o diálogo constante, a repercussão das ações locais e a influências nas políticas públicas. A rede funciona sem formalização estatutária, utilizando-se da estrutura das entidades participantes.

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) unidade de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia, coordena a Rede Amazônica de Educação Ambiental. Trata-se de uma rede virtual que une diversas instituições e profissionais que trabalham com educação ambiental da região norte do país. Nos objetivos estão: o planejamento, a avaliação e a orientação das ações políticas de educação ambiental da região Amazônica. A rede é formada por representantes da Universidade Federal do Amazonas - UFAM, Embrapa, Fucapi, Ulbra e Nilton Lins, entre outras, e coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e pela Secretaria de Estado da Educação. A rede está contemplada no Pronea, que prevê angariar recursos em instituições de fomento para aplicação em educação ambiental nas escolas, comunidades e para a produção de material didático sobre a temática.

Os resultados obtidos configuram um avanço expansivo nas articulações e mobilizações em torno de agendas e redes de educação ambiental no Brasil, conformando um contexto de consciência e institucionalização da educação ambiental nos diversos níveis e domínios da vida social e política brasileira. As redes de educação ambiental formadas na Amazônia refletem a necessidade de socialização de experiências e disseminação de conhecimentos e práticas pedagógicas, tendo em vista o desafio de gestão sustentável do bioma amazônico, através de visão crítica do modelo de desenvolvimento predatório, ainda dominante na mentalidade e ações de diversos atores que atuam na região. As redes de educação ambiental, somadas ao conjunto mais amplo de redes de articulação e mobilização da sociedade civil, são a prova contundente da politização da questão ambiental, que sutilmente vão promovendo uma nova mentalidade, comprometida com um desenvolvimento duradouro e ético.
Fonte: www.ecoterrabrasil.com.br
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es).


2. MICHÈLE SATO - michele@ufmt.br
Facilitadora da REMTEA

MATO GROSSO: PRESENTE NAS REDES DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Nossa Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental (REMTEA) surgiu em 1996, como fruto da plataforma de discussão no âmbito nacional e internacional sobre a Educação Ambiental (EA). Ela agrega diversas organizações governamentais (OG) e não-governamentais (ONG), incluindo setores públicos e privados. Em 1997, realizamos o I Encontro de Educador@s Ambientais da REMTEA, seguido do II Encontro, em 2000, e o III no ano 2003, este último ineditamente com o estado de Mato Grosso do Sul, rompendo barreiras geográficas, políticas e ideológicas para que os sentidos das redes se transcendessem - de poderem registrar os fatos ocorridos e projetar ações futuras, por estabelecerem regras de com-vivência na tensividade, por terem noção de eterno e de infinito e também por conseguirem estabelecer relações comprometidas com o ato político da transformação. Inauguramos, ao mesmo tempo, relações amorosas com o mundo, projetando uma sinergia de cooperação para um bem comum.
Além de grandes encontros, promovemos o “tchá-co-bolo”, tradição da terra, convidando especialistas, pessoas comuns, membros da comunidade indígena, ribeirinha, artistas ou profissionais relacionados com a dimensão ambiental. Após a exposição e debate, buscamos a confraternização, de chás, bolos, biscoitos, reencontros e apertos de mãos, compreendendo que para internalizar o sentido da EA necessitamos construir conceitos, mas também que é preciso reafirmar a gratuidade da luta e os atos de generosidade - ofertados e gestados nos intentos rebeldes das energias transgressoras do movimento ecológico. Uma lista de discussão on-line perfaz um assessório eficaz nas comunicações, atingindo diversas pessoas de outros estados, inclusive algumas de países estrangeiros. Buscamos assim, relacionar nossas realidades locais aos diálogos nacionais e internacionais.

Se por um lado nosso desejo de abrir as asas em vôos livres caracteriza nossas esperanças, por outro lado, também somos incompletos. A “incompletude” admitida nos lembra que dependemos dos outros, e de muitas outras, para alcançarmos uma dinâmica auto-eco-organizativa da Terra. A incompletude humana necessita, assim, buscar a realização de nossos desejos em projetos coletivos, formando os múltiplos matizes e fios de uma rede que se balança, titubeia, move, pára e dança ao som da música mais sensível que pode nos trazer memórias jamais esquecidas, ou de esperanças que nos movem para a transformação desejada. E exatamente por sermos incompletos, isso nos possibilita uma perspectiva de transcendência, mediante a qual construímos tempos e espaços simbólicos, representações e experiências vivenciais que nos permitem superar nossas próprias fragilidades.

A REMTEA deseja voar para além de suas terras poéticas, de sotaques de Manoel de Barros, de graciosas danças do siriri e de cantos ritmados do cururu. E também de pilão, cerâmica, viola de cocho e gamela. O pôr do sol na baía da Tchá Mariana soma-se ao canto das aves, cuja sonoridade faz as polimorfas nuvens refletirem o encantamento sobre suas águas mitológicas. Seu fogo, enfim, é ardido em chamas de paixão e acolhimento, onde tornamos parte de seu símbolo e de seu próprio sangue. É entre ares, mares de xaraés, bichos e cantos que nossa vivência em EA nos possibilita encontrar cores jamais vistas, cenários nunca acenados e amores em nunca sentidos. Mas também é no narcíseo de Salvador Dalí que vivenciamos as mudanças das propriedades da vida, trazendo os fantasmas da noite que assombram nosso próprio destino.

Neste movimento de ambivalência, a linguagem da EA tornou-se melodiosa ao ciclo da vida e da morte, em jogos de luzes e reflexos da vida íntima com a liberdade do vôo do mundo estrangeiro. É aqui que a REMTEA permite a simultaneidade da queima do fogo e da quietude da alma. E na explosão entre o bem e o mal, somos capazes de buscar a doçura dos sabores e a subversão do império. Entre gritos, divergências e eloquências, também somos capazes de abraçar a dor com solicitude nos momentos inquietos, dividir a angústia e explodir vulcanicamente soltando suaves vôos de borboletas.

A EA não é mera contemplação estética da natureza, porque nasce e se concretiza através de uma ação que se exerce, clamando por uma análise reflexiva e permitindo que os pares binários do claro e escuro; do ritmo e pausa; do feminino e masculino; e do sujeito e objeto, deixem de ser percebidos como contraditórios. O que caracteriza a EA desenvolve-se sob o foco mais vivo da própria natureza: o desejo absoluto de reinventar a paixão e mudar a vida. É saber se entregar ao conhecimento com o corpo inteiro, em tudo aquilo cuja chegada e partida se expressa na existência - no alento, nas veias, no sexo, na sensualidade do orgasmo ou na calmaria do amor. Nosso desejo convida a hipnotizante miragem da água do Pantanal; dos paredões da Chapada dos Guimarães; do preguiçoso descanso nas redes de quintais com aroma de manga e de caju; ou dos passeios serenos entre as cores e a resina de ipês amarelos que tentam embriagar o calor nas chamas da lucidez.

Ainda que presa sob certas singularidades e soledade, a EA quer ser uma mística da realidade, desde que deseja combater as violências como se fosse um andarilho - lançar-se na liberdade do aprendiz em caminhos não descobertos, buscar suas estratégias na fortaleza de suas teorias, mas também se emocionar com a magia das águas pantaneiras, das essências das flores do cerrado ou da exuberante floresta amazônica. Entregar-se à coletividade significa aceitar que todo saber é igual por direito e que as emoções, crenças, valores e sentidos irão se cruzar nos emaranhados novelos, fios, nós e elos de uma rede. É necessário destacar que nem sempre teremos consenso e que, para além de uma síntese autoritária que retira a diferença, teremos interferências políticas. O desafio que se estabelece num trabalho em rede vai além do querer, significa saltar as órbitas da obscuridade, sitiadas nos próprios círculos que parecem se fechar em si mesmo, à recuperação do entusiasmo sócio(po)ético que palpita na realização dos desejos.

A REMTEA torna-se pequena em certos momentos, encarna a solidão, o desespero e as lágrimas das madrugadas. E sob uma intensidade ainda maior, sai de seu esconderijo na perspectiva gigantesca - saboreando a vida, celebrando descobertas e recontando as histórias com novos sentidos. Recolhe as desilusões, acumula erros e carrega sombras, mas alça vôos e devolve a luz, agora mais intensa em seus reflexos, e iça as utopias em projetos coletivos. Abandona o "eu-colonial" e não espera a simples somatória dos sujeitos ecológicos, senão a audaciosa busca da transcendência à construção da "alteridade-cívica". Queremos marcar encontros ruidosos com a História e tornar a REMTEA uma corrente de sensibilidade, conhecimento, prazer e democracia.


Ref.: SATO, Michèle. Mato Grosso presente nas redes da educação ambiental. In II Simpósio Sul-Brasileiro de Educação Ambiental & I Encontro da Rede Sul Brasileira de Educação Ambiental (REASul). Itajaí: Anais... UNIVALI & REASul, 2003, CD-ROM, p. 1-3 (seção palestras).

3. FIDELIS PAIXÃO - agenda21rondon@yahoo.com.br

NASCE A REDE DE EDUCADORES AMBIENTAIS E DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL LOCAL

Reunidos em Marabá, sul do Pará, mais de 60 educadores ambientais, gestores públicos e agentes de desenvolvimento local representando cerca de 40 instituições de 15 municípios da região, decidiram criar a “Rede Carajás de Educadores Ambientais e Desenvolvimento Sustentável Local”. A criação da rede ocorreu no último dia 07 de julho, durante seminário que discutiu os problemas ambientais, os entraves e as oportunidades ao desenvolvimento dos municípios do sul e sudeste do Pará, região identificada como parte do “Arco do Desmatamento”, responsável pela maior parte do desflorestamento na região amazônica nos últimos anos. O evento contou a participação do Ministério da Educação, Ministério do Meio Ambiente e da Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Estado do Pará.

Pela primeira vez Secretários Municipais de Educação, de Meio Ambiente, com representantes de Ongs, Movimentos Sociais, Rádios Comunitárias, Fóruns de Agenda 21 e de DLIS, entre outras instituições, tiveram a oportunidade de trocar informações e traçar estratégias regionais para um trabalho integrado e de cooperação interinstitucional.

A rede é considerada uma forma de organização capaz de reunir pessoas e instituições em torno de objetivos comuns, primando pela flexibilidade, dinamismo, democracia e descentralização na tomada de decisões, com alto grau de autonomia de seus membros e horizontalidade das relações entre seus elementos. A decisão de criar a Rede Carajás foi motivada pela necessidade dos atores sociais regionais se organizarem de forma autônoma. A estrutura de rede possibilita que tanto agentes públicos quanto educadores, líderes comunitários, empreendedores e os cidadãos que atuam na promoção do desenvolvimento sustentável local possam interagir com responsabilidade e compromisso num ambiente democrático.

O objetivo da Rede Carajás será “articular os educadores ambientais e agentes de desenvolvimento local, criando laços e fomentando ações sociais, educacionais, políticas, econômicas e culturais de construção de padrões sustentáveis de vida nos municípios do Araguaia e Tocantins”.

O desafio da Rede será disseminar informações de qualidade, possibilitando um exercício efetivo da cidadania, e a qualificação dos educadores ambientais, agentes de desenvolvimento e gestores. Nesse aspecto, a rede deverá contribuir para reverter a situação atual em que a região sul-sudeste do Pará tem tido pouco acesso a recursos para ações de educação ambiental e de promoção do desenvolvimento sustentável local, devido a baixa qualificação de pessoal e grande desconhecimento das políticas públicas e de financiadores de projetos.

A Rede deverá, ainda, estimular a promoção de Agendas 21 Locais, de Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida nas Escolas, a educomunicação e a alfabetização ecológica. Mas o principal desafio da Rede estará no fortalecimento de laços entre as escolas e o desenvolvimento local, aproveitando o fato de que a ONU decretou ser esta a “Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável”, objetivando, dentre outras coisas, a melhoria da qualidade do ensino, a facilitação da troca de experiências entre os diversos atores envolvidos, bem como aumentar a atenção pública sobre o tema.

Foram eleitos para integrar a equipe de moderação da Rede: Fidelis Paixão (coordenador da Agenda 21 Local de Rondon do Pará), Antonio Rosa (secretário de Meio Ambiente de Marabá), Edvandro (diretor de Educação Ambiental de Parauapebas), Alessandra (técnica da Associação de Municípios do Araguaia e Tocantins), Alice de Paula (secretária de Meio Ambiente de Canaã dos Carajás) e Eduardo (da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Conceição do Araguaia).

Fone (94) 3326 3958 – 3326 1242

4. MICHÈLE SATO

RELATÓRIO DO I SIMPÓSIO LUSÓFONO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
V Congresso Ibero-Americano de Educação Ambiental
Joinvile, abril de 2006. FOTOS DE ARQUIVO

A) METODOLOGIA
1º DIA
• Mesa 1: PESQUISA
Pablo Meira (coord.) Antônio Fernando Guerra, Luiz Marcelo de Carvalho, Joaquim Ramos Pinto e Marília Torales

2º. DIA
• Mesa 2: DIVERSIDADE LUSÓFONA
Joaquim Ramos Pinto (Coord), Brígida Brito, Aidil Borges, Alberto Vieira e Rosimeire Souza

B) PONTOS DE CONVERGÊNCIA
Necessidade de sustentabilidade aos contatos internacionais, conclamando demais países e localidades da identidade lusófona. Ampliar a rede de EA como porta de entrada à política da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP). Buscar mais parceiros para envolver a CPLP.

C) PONTOS CRÍTICOS OU DE DIVERGÊNCIA
Não há exatamente um problema, entretanto, a riqueza da diversidade de opiniões, valores ou posicionamentos políticos distintos pode também representar uma divergência. A existência de vários idiomas (indígenas, locais e populares) nos traz a reflexão de que talvez o idioma não faz a nossa pátria, mas a nossa identidade. No contexto da rede lusófona, entretanto, que a língua portuguesa seja uma condutora a tantas outras existentes, na inclusão social que constrói um ambiente em comum, diferenciado pelos sentidos polissêmicos de cada identidade.

D) CENÁRIOS FUTUROS
• Biblioteca virtual nos 8 países – BR: SIBEA;
• Material de divulgação para a CPLP;
• Evidenciar a EA como possibilidade de aproximação da CPLP e das demais localidades lusófonas;
• Campanhas sincronizadas com temáticas específicas;
• Aprimoramento de ações de parceria;
• Congregar esforços para aglutinar as ações da sociedade civil organizada com o governo;
• Formação ambiental para sujeitos governamentais, sociedade civil e sujeitos;
• Rede fortalecida para que as políticas públicas em EA se concretizem nas ações locais e pensamentos globais;
• Ações que possam envolver mais jovens lusófonos, permitindo que seus pensamentos possam ser somados na complexidade luso-galega.

E) ENCAMINHAMENTOS POLÍTICOS – DECISÓRIOS
• Que o governo federal brasileiro incorpore a CPLP como prioritária na formulação de políticas públicas.
• Que a atenção ä proporcionalidade de gênero seja revista cuidadosamente na composição das conferências ou atividades de maior porte no próximo VI ibero-americano.
• Que um sistema de avaliação seja processada junto com os participantes e que seja publicado para revisão da organização.


F) PROPOSTAS DE CONTINUIDADE
• Promover o II simpósio luso de forma independente, podendo estar atrelado ao ibero-americano, ou não. No caso do simpósio ser satélite, que os dias de participação sejam anteriores ou posteriores ao evento central, oportunizando melhor aproveitamento das atividades. Os participantes do simpósio indicam que o próximo VI ibero seja realizado na Galícia para facilitar transportes e diminuir custos aos colegas africanos. No caso da Galícia não sediar o VI ibero, seu governo se responsabiliza em organizar o II LUSO.
• Que num próximo evento da rede luso, a sistematizações das experiências sejam organizadas de modo a serem apresentadas e registradas.


EXTRATO ANALÍTICO
A Rede Lusófona de Educação Ambiental (REDELUSO) criada em janeiro de 2005, durante as XII Jornadas de EA (ASPEA), em Ericeira, Portugal. Com a esperança de se criar tempos e territórios não hegemônicos, que ainda resistem ao efeito globalizador, a identidade lusófona foi resgatada como porta de entrada que pudesse fortalecer o intercâmbio e os diálogos internacionais. No universo da lusofonia, os paises que celebram a língua portuguesa são: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Na página oficial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), há ainda espaços de acolhimento para localidades não dependentes, mas que mantêm a identidade lusófona, quais sejam: Cabinda (Congo); Casamance (Senegal); Galícia (Espanha); e Macau (China).

O I Simpósio Lusófono de Educação Ambiental (EA) teve sua dinâmica em duas seções:
a) de pesquisa em EA no sudeste e sul do Brasil e o funcionamento da lista de discussão da REDELUSO;
b) das diversidades étnicas e identidárias que ainda mantêm as identidades lusófonas como eixo condutor que conduz as esperanças e os desejos de transformar o mundo.

No debate da importância cultural ao fortalecimento da EA, os diálogos implicaram num cruzamento entre diferentes conceitos e métodos, além do conhecimento das inúmeras experiências em EA do mundo lusófono. É considerada, também, a relevância das lutas políticas de algumas pessoas falantes da língua portuguesa, em locais e territórios que “talvez sejam fáceis de se acreditar serem irrelevantes, ou frágeis para se oferecer uma alternativa credível ao capitalismo” (Santos, 2003, p.3). As metanarrativas pulverizaram as diferenças, dando homogeneidade ao todo e suas partes. A REDELUSO, neste contexto, reforça que a experiência social é variada e múltipla, e para além do veredicto das ciências, pretende buscar alternativas que possibilite o não desperdício das vivências em EA.

SANTOS, Boaventura. Reconhecer para libertar. Os caminhos do cosmopolitismo multicultural. Rio de Janeiro: Record, 2003.
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EXPOSIÇÕES – 06.abril.06

Pablo Meira – ITINERÁRIOS DE UM SONHO
Culturas orais e populares são compartidas entre o sul da Galícia e norte de Portugal, no histórico do legado da lusofonia e no contexto do movimento cultural e literário. Prestigie e a luta de uma identidade

Antonio Fernando Guerra – PESQUISA EM EA
Histórico curto sobre pesquisa em EA, com foco principal na Associação Nacional de Pós-Graduação em Educação (ANPEd), desde a criação do GT 22 no ano de 2002.

Luiz Marcelo de Carvalho – PESQUISA EM EA
Resgate dos Encontros de Pesquisa em EA – EPEA, como fonte original de espaço político que fortalece os campos da pesquisa. Marco inicial de pesquisa em EA.

Marília Torales – IDENTIDADES LUSÓFONAS
Abordagens de pistas e identidades das pessoas que circulam na rede. Analisar tipologia das mensagens, dados espelhados, funcionamento e organização.

Joaquim Ramos Pinto – AMOSTRA DA PESQUISA (questionário)
AQUAD 6 – códigos e metacódigos na análise das mensagens circuladas na lista de discussão da REDELUSO.

07.abril.06

Brígida Rocha Brito – PALOP
Turismo na cultura e ambiente dos Países da Língua Oficial Portuguesa (PALOP), com ênfase em São Tomé e Príncipe. Caráter transformador da EA pode aliar múltiplos cenários de diálogos.

Aidil Borges – Ministério do Meio Ambiente de Cabo Verde
Narrativa sobre uma região desértica que abarca 8 países africanos, totalizando 150 milhões de pessoas (4 idiomas oficiais e mais de 100 línguas), com a EA como esperança contra a seca e a miséria.

Alberto Vieira – UNISUL
Sentimentos e pertencimentos lusófonos em EA transvertem a lógica racional das ciências duras. A ‘irracionalidade’ pode transcender a racionalidade, mostrando a complexidade do ambiente e na aceitação de sentimentos e pertencimentos.

Rosemeire Melo = Rede Sergipe – REASE
Diálogos entre REASE, REBEA, REDELUSO no capital social e organização em redes. A rede lusófona o começa no momento em que se assume protagonismo da conectividade. Pertencimento e multiplicidade e fator fundamental na pratica das redes.

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WILLIAM SHAKESPEARE

Plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar...
Que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe...
Depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida


Matisse: jardim

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