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“Rodas de Conversa” incentiva o valor do livro e à leitura para crianças em Cuiabá

Em Cuiabá para participar do Encontro Nacional de Didática e Prática (Endipe), José Xavier Cortez (80 anos), proprietário da Cortez Editora, com o intuito de contribuir com o apreço ao livro e à leitura, apresentou em escolas e Universidades o “Rodas de Conversa”, um programa voltado para despertar o valor da leitura para o crescimento pessoal. Cortez tem na sua história de vida a explicação para incentivar crianças sobre a importância dos livros.

Nordestino, ex-lavrador, marinheiro e lavador de carro, Cortez superou o destino reservado aos seus conterrâneos, e dedicou-se a sua paixão: a leitura. E foi assim que ele mudou a sua história. Hoje, aproximando-se dos 40 anos, a Cortez Editora já publicou quase 1.300 títulos, que valorizam o que é da terra, pois dentre seus livros 95% foram escritos por professores, pesquisadores e intelectuais brasileiros.

Rodas de conversa

O programa “Rodas de conversa”, que tem o objetivo de incentivar as pessoas à leitura, mostra a importância que a leitura e o livro tiveram na trajetória de José Xavier Cortez, fazendo dinâmicas e interagindo com os participantes. São apresentados vídeos e livros sobre a sua história para ilustrar a transformação que a leitura lhe proporcionou.

O programa, que é ministrado sem custos para as instituições de ensino, tem como objetivo estimular as crianças para o hábito da leitura; aproximar o público e os livros (torná-lo um meio acessível e prazeroso para adquirir conhecimento); e reforçar a cultura como referencial para a melhoria das condições de vida.

Como o programa também atinge adolescentes e adultos, em Cuiabá ele levará o “Rodas” em locais como Colégio Isaac Newton, Escola Estadual Souza Bandeira, Univag e na Faculdade de Serviço Social da UFMT.

História

Nascido em Currais Novos, interior do Rio Grande do Norte, Cortez começou a trabalhar no trato com a terra ajudando seus pais e irmãos – eram em 17 filhos, dos quais sete não sobreviveram, devido a doenças, o que era natural e normal naquele tempo. Iniciou em uma escola rural onde estudou até a 5ª série.

Aos 18 anos alistou-se na capital do estado, Natal. Morou com um tio por sete meses, até ser aprovado na Marinha e mudou-se para o Recife, onde ficou um ano. Depois seguiu para o Rio de Janeiro – viveu de 1956 a 1964.

Em 1962 ingressou na Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil, que, dois anos mais tarde, protagonizaria o episódio conhecido como Rebelião dos Marinheiros, que terminou com a expulsão de cerca de 2 mil militares, entre eles o próprio Cortez.

Em 1965 mudou-se para São Paulo. Xavier Cortez trabalhou primeiro como office-boy de um escritório de contabilidade, e depois como lavador de carros num estacionamento no centro. Ficou lá durante dois anos. Nesse período estudou e foi aprovado no vestibular da PUC para Economia.

Na universidade sua vida começaria a tomar o rumo atual. Para complementar a renda, Cortez passou a vender livros em uma banquinha dentro da PUC. Três anos depois, com um sócio, Cortez abriu sua primeira livraria a poucas quadras da PUC.

Conquistas

Paulistano por adoção – em 2005 recebeu o título de “cidadão”, da Câmara Municipal de São Paulo. Em 2011 recebeu também o título de cidadão natalense.

No dia 20 de agosto de 2016, o editor recebeu homenagem com uma solenidade na Escola Estadual José Xavier Cortez, que leva o seu nome desde março deste ano.

São dois livros escritos sobre a sua história. “Como um rio: o percurso do menino Cortez”, publicado em 2010, é para as crianças e conta a trajetória de José Xavier Cortez com ilustrações. Esse livro foi escrito por Silmara Rascalha Casadei. “Cortez, a saga de um sonhador”, também publicado em 2010, é narrado sob a ótica de dois olhares distintos: o da socióloga Teresa Sales e o da jornalista Goimar Dantas.

Dois filmes também foram produzidos para contar a sua história de vida. O primeiro foi embasado no livro “Como um rio: o percurso do menino Cortez”, de Silmara Casadei. Já “O semeador de livros”, é um documentário p roduzido por Wagner Bezerra, que descreve a saga do editor José Xavier Cortez, um nordestino que fez dos livros a sua própria história.

Texto: Olímpio Vasconcelos / Fotos: Rildo Amorim

 

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