Libaneo

Professor Libâneo fala sobre Endipe 2016

A Comissão Organizadora do XVIII Endipe fez questão de ouvir dos participantes ‘históricos’ a análise do encontro, em Cuiabá. O professor José Carlos Libâneo, do Estado de Goiás,  membro do GT Didática da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação (Anped), que pesquisa e escreve sobre teoria da educação, didática, formação de professores, ensino e aprendizagem, organização e gestão da escola e atualmente desenvolve pesquisas dentro da teoria histórico-cultural, com ênfase na aprendizagem, ensino e organização da escola, compartilhou sua avaliação.

Transcrevemos na íntegra a opinião do professor Libâneo:

“Em primeiro lugar, devo dizer que os Encontros Nacionais de Didática e Prática de Ensino constituem um dos movimentos de natureza científica mais bem sucedidos no campo da educação brasileira, completando em Cuiabá 37 anos de existência. Não é pouco e em todos eles foi expressiva a presença de professores, pesquisadores, estudantes.  A despeito de pulularem em outras áreas da pesquisa educacional torcidas de nariz em relação à didática, a realização dos ENDIPEs mostra a pujança teórica e investigativa dessa disciplina, além de evidenciar a importância desse espaço de formação continuada para professores e pesquisadores.

A didática é a ciência profissional do professor e seu conteúdo vem sendo intensamente enriquecido ao longo dos ENDIPEs, inclusive por outras áreas das ciências da educação. Ela se depara, por um lado, com problemas surgidos com a precarização da escola pública, as dificuldades dos educadores em relação às melhores formas do ensinar e aprender, as debilidades da legislação atual sobre a formação de professores, o desencanto pela profissão; por outro, com a necessidade de buscar contribuições no campo do currículo, da linguística, dos estudos culturais e no próprio campo das didáticas especificas das disciplinas, além de soluções para problemas emergentes na contemporaneidade como formas de articular no processo de ensino o atendimento à diversidade sociocultural dos alunos, as tecnologias digitais, a epistemologia das disciplinas, etc. São questões muito vivas a desafiar a pesquisa e o exercício profissional, e é por isso que quase 3.000 participantes acorreram ao XVIII ENDIPE de Cuiabá.

Cumprimento, portanto, efusivamente, a Comissão Organizadora que esteve à frente do Endipe 2016 na pessoa do meu amigo Silas Monteiro. A sessão de abertura foi um acontecimento primoroso revivendo a memória dos ENDIPEs anteriores e promovendo uma justa homenagem a colegas com representatividade na pesquisa e na militância da didática assim como às pessoas que integraram a equipe local .

Os simpósios tiveram temáticas atraentes, exibindo conteúdos diversificados e mostrando como a didática não se resume a prover instrumentalidades mas a realizar interfaces com a política, a cultura, a literatura e a poesia e, claro, com outras áreas de pesquisa como a sociologia, a psicologia, a linguística.

Foi visível o esforço de acolhimento dos participantes e de criar um ambiente de convivência, debate e compartilhamento de ideias e práticas. Sei que não é uma tarefa fácil realizar eventos com esse, eu mesmo já coordenei dois deles em Goiânia, o VII e o XI. Houve reclamações em relação à falta de orientação das atividades já que não foi

distribuído o impresso da programação, assim como em relação a problemas de infraestrutura como salas demasiado pequenas para as comunicações. Mas,nenhum desses senões comprometeu o êxito do evento, os participantes saíram gratificados e cheios de ânimo para enfrentar os momentos difíceis pelos quais passa a educação e, também, o país”.

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